Tiradentes
O Mártir da Liberdade


 
 
 

  Em 1720, em Minas Gerais, Filipe dos Santos, indignado com o pagamento de impostos à Coroa, ergueu sua voz solitária, pregando a liberdade. Filipe foi caçado, preso e condenado à morte. Ele foi atado à cauda de um cavalo e arrastado pelas ruas de Vila Rica até seu corpo desfazer-se em pedaços. 
  E assim outros valentes e outros movimentos iam acontecendo Brasil à fora, e praticamente todos visavam livrar-se da canga portuguesa. Mas, ou os fatos eram isolados, como no caso de Filipe dos Santos, ou tinham objetivos localizados, como a rebelião de Beckman, em 1684. 
  Somente a partir de 1780 é que começaria um movimento que incomodaria a Coroa. Em 1785 o governo português fechou alguns teares em Minas Gerais, forçando que toda mão-de-obra fosse direcionada à extração do ouro. Formou-se uma cota de extração e se tal não fosse atingida, havia a derrama, que era quando a assustada população era obrigada a completar a soma estipulada. As derramas aconteciam num clima de pavor e violência, e foi nesse clima arbitrário, por volta de 1789, que a possibilidade de um Brasil livre do jugo português começou a soprar sobre as montanhas das Minas Gerais. 
  Militares, religiosos, doutores, poetas e outros começaram a se reunir. Alimentados pela literatura de revolucionários franceses, eles organizaram a revolta que tinha como objetivo principal libertar a colônia e torná-la república, e para isso, a estratégia era aproveitar a data de uma derrama, para a revolução. 
  O plano era bom, mas sonhadores e com a ânsia da liberdade, eles não perceberam que seriam uma formiga picando a pata de um elefante, pois para tal movimento atingir seu pleno objetivo, era necessário que eles tivessem o apoio de outras capitanias. 
  Mas não tiveram nem tempo para isso, pois foram traidos por Joaquim Silvério dos Reis, Basílio Malheiro e Inácio Correia Pamplona, e Portugal facilmente estraçalhou a bandeira que trazia em um triângulo, simbolizando a Santíssima Trindade, a frase de um verso do poeta Virgílio: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade Ainda Que Tardia)... 
  Portugal alcunhou o movimento sarcasticamente de Inconfidência Mineira. Todos os revoltosos foram presos e condenados à morte, mas a Coroa depois resolveu exilá-los, apenas condenando o líder Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de o Tiradentes, à pena máxima. Joaquim José da Silva Xavier, que exercera as profissões de mascate, dentista e alferes (tenente) da Corôa, acabou ficando conhecido mesmo como Tiradentes. 
  Em 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa, no Rio de janeiro, após 3 anos de prisão, Tiradentes é enforcado e, segundo a sua terrível sentença, seu corpo foi cortado em pedaços e espalhado pelas estradas de Vila Rica, mostrando ao amedrontado povo o preço pago por aqueles que buscavam a liberdade. 


Tiradentes Supliciado, pintura de Pedro Américo, 
do acervo do Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora


Abaixo, o resumo do original da sentença imposta ao herói...
...Mostra-se que entre os chefes, e cabeças da Conjuração, o primeiro que suscitou as ideas de república foi o Réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, Alferes que foi da Cavallaria paga da Capitania de Minas, o qual há muito tempo, que tinha concebido o abominavel intento de conduzir os povos d'aquelia Capitania a uma rebelião, pela qual se subtrahissem da justa obediência devida à dita Senhora, formando para este fim publicamente discursos sediciosos, que foram denunciados ao Governador de Minas, e supposto que aquelles discursos não produzissem n'aquelle tempo outro effeito mais do que o escandalo e abominação que mereciam, com tudo, como o réo viu que o deixavam formar impunemente aquellas criminosas praticas, julgou por occasião mais oportuna para continuallas com maior efficacia no anno de Jesus Christo de 1788, em que o actual governador de Minas tomou posse do governo da capitania e tratava de fazer lançar a derrama para completar o pagamento das cem arrobas de ouro, que os povos de Minas se obrigaram a pagar annualmente pelo offerecimento voluntário que fizeram em 24 de março de 1734... 
...Portanto condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas Gerais, a que, com baraço e pregação, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da fôrca, e nela morra morte natural para sempre e que, depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde, em o lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, aonde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também os consuma; declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelo bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve em memória a infâmia dêste abominável réu... 
 
Mas, como a lenda
em Israel diz que
até hoje, vez ou outra
o rei Davi passeia
por Jerusalém e 
arredores e, no México
se diz que Zapata
também está sempre
de vigília montado
em seu cavalo 
branco, podemos dizer
que Tiradentes percorre
garbosamente
em seu cavalo as
montanhas e planícies
de Minas Gerais, vendo que
seu sacrifício não foi em vão
mas que ainda há muita
justiça a ser feita no país...

Pintura no início da matéria: Alferes - Óleo de Washt Rodrigues
NE-Tiradentes é o Patrono das nossas Forças Armadas
Sobre a montagem final na matéria, não conhecemos o autor 



xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

GRANDES MATÉRIAS
MUNDO SERTANEJO
NOSSOS HERÓIS
REVOLUCIONÁRIOS
ESPECIAIS
HOME PAGE
 
 
 
 
 
 
 

 

Sergio Ferraz - Todos os direitos reservados