Uma estrela desaparecida


 
 

  Júlio Cândido Gomes, conhecido mais como Ramón Cariz ou Ramoncito Gomes, cantor e compositor, que  cantando sucessos musicais do México, na própria lingua daquele país, levou a maioria das pessoas a pensarem que ele era mexicano. A pergunta que muitos de seus fãs faziam: O Ramoncito é paraguaio, argentino ou mexicano? Nem de longe. Ramoncito Gomes é brasileiro, natural do Estado de Mato Grasso do Sul. Desde criança foi um apaixonado pela música espano-americana. Aprendeu a cantar em espanhol, devido ao contato constante com os povos da fronteira Mato Grosso/Paraguay e gravou muitos clássicos em espanhol, como tangos, guarânias e as galopas paraguaias. Mas seus maiores sucessos e que o tornaram conhecido e querido aqui no Brasil, que o julgava uma espécie de Miguel Aceves Méjia, foram a rancheira, o corrido e o huapango mexicanos.
  Quase que como uma identidade secreta, o cantar em espanhol e a mínima divulgação da vida do artista, o fizeram mesmo mais conhecido como “mexicano” do que como brasileiro cantando músicas mexicanas. Isso, se de uma lado ajudou, criando uma aura de mistério ao redor do artista, do outro lado atrapalhou em seu lado biográfico. Ninguém praticamente sabia quem era Ramoncito Gomes. Nada se sabia dele e como todos o julgavam mexicano, ninguém se importou em coletar dados sobre este grande artista.
  Com o nome artístico de Ramón Cariz, passou pelas gravadoras California, Copacabana e até pela grande RCA Victor, a gravadora dos maiores artistas do passado mundo da boa música! Isso foi entre 1959 e 1961. Em 1962 ele foi contratado pela Continental, na área sob a direção de Palmeira, o cantor da famosa dupla Palmeira e Biá. Foi naquela gravadora que surgiria Ramoncito pela sugestão do próprio Palmeira. Julio somente fez questão de manter o sobrenome, saindo Julio de cena e entrando, para ficar, Ramoncito Gomes!
 



Clique sobre a capa do disco para ouvir Ramoncito Gomes

  No passado as gravadoras não tinham um grande know-how em divulgação e a própria mídia não dava aos artistas o destaque que dão hoje. Assim, para os que partiram cedo, como Belmonte, por exemplo, é muito difícil conseguir uma boa biografia.  Para escrever o livro Saudade de minha terra, com a  biografia de Belmonte, eu fiquei quase dois anos pesquisando na própria cidade do artista, Barra Bonita, e quase ninguém sabia nem ao menos que ele estava sepultado no cemitério local.  Zé Maringá, o sanfoneiro da dupla Belmonte e Amarai também foi outro ilustre desconhecido do grande público. Todos se encantavam com os acordes do seu acordeon, mas ninguém procurava saber quem estava por trás do instrumento. Então, com Belmonte, Zé Maringá e agora, Ramoncito Gomes, do qual muito pouco se sabe, cheguei à conclusão que não é que o brasileiro não tem cultura e sim, que ele não se importa com a cultura!
  Quando procurei dados também sobre a grande dupla Duduca e Dalvan, super conhecida, eu fiquei abestado por não se ter, nem na Internet nenhum dado sobre a dupla. Busquei com velhos amigos e consegui o primeiro disco gravado pela dupla, que felizmente, trazia a biografia resumida de Duduca e Dalvan. Então, o Gente da Nossa Terra, foi o primeiro a divulgar a história da dupla, assim como a publicar dados desconhecidos de Belmonte e Amarai e inclusive fotos deles, até hoje “chupadas” por outros sites. E eu não acho ruim, mesmo quando não colocam a fonte, pois de qualquer forma é uma maneira de demonstrar amor pelo artista e, o principal, evitar que seu nome se perca na poeira do tempo, como já aconteceu com tantos outros, infelizmente...

 

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