Contos 05
Grandes homens,
pequenas mentiras
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J. Arantes
Artista plástica e blogueira com colaboração de Sergio Ferraz

   Em uma mostra de artes plásticas, em 2002, época dos governos social-comunistas no Brasil, dei destaque a uma tela do Tiradentes, um dos meus heróis preferidos.  Então percebi que dois jovens jornalistas olhavam com pouco caso para a tela do Tiradentes. Como eles elogiaram muito a mostra, falei-lhes que haviam me dado a impressão de não terem gostado da tela  retratando o “Mártir da Independência”. Daí eles, recém-formados, pelo que notei, responderam que o professor na Faculdade tinha comentado que um historiador havia pesquisado e descoberto que Tiradentes era mulherengo, alcoólatra e sem caráter e assim eles afirmavam que o Tiradentes não era “aquele herói” que eu pensava ser.
   Ouvindo-os, lembrei-me de um episódio daquela época, onde o Grupo Gay da Bahia (o mesmo que elegeu São Sebastião como padroeiro) dizia que Lampião e o Zumbi dos Palmares eram homossexuais. Na época, lembro-me, ficara tão chocada quanto com a afirmativa dos dois jornalistas. Para mim nenhuma diferença fez e nem faria, saber que Joaquim da Silva Xavier era mulherengo ou que Lampião e Zumbi fossem gays. Para mim importa o fato, e não o boato.
   Me causa estranheza é saber que historiadores, que prestam um serviço inestimável à cultura, e um professor, que tem a nobre missão de formar cidadãos e profissionais competentes, desviem-se dessas gloriosas tarefas, para virem à mídia dizer que Julio César, Chopin, Da Vinci, Michelângelo e outros grandes homens, eram homossexuais e por aí à fora. Que interesse há, pergunto, em saber a preferência sexual daqueles que fizeram a História, sabendo que a Humanidade é beneficiária direta e herdeira do legado histórico? 
   Se o presente é alicerçado no passado, que benefícios poderemos ter agora e no futuro, se olvidarmos os feitos dos grandes homens e ofuscarmos suas gloriosas memórias com essas “grandes descobertas”? Vejo o esforço de tais pessoas como um desserviço à  Humanidade...ou seria o começo da alienação comunista que mais tarde descobriu-se ser? Os nomes, feitos  e  idéias dos grandes homens, sobrevivem ao último dos seus sonos, alçando vôo perene, e por causa desses grandes vultos da História, é que existe a mesma. Acho que o professor daqueles jovens e o historiador que disse que Tiradentes era uma pessoa sem caráter jamais vão fazer História. Eles são pessoas comuns, que nascem, crescem, acasalam-se e morrem.
 A pessoa deve procurar a sua verdade, deve pensar,  pesquisar,  não acreditando na primeira coisa que ouve e já conceber seu preconceito. Eu não sou dona da verdade, e ninguém o é. Mas acho que denegrir a memória de grandes vultos da História, não leva a nada, principalmente para nós, pobres brasileiros, que já temos tão pouco a nos apegar. Tiradentes até pode ter sido tudo o que falaram dele, mas o traidor foi Silvério dos Reis. E Tiradentes não poderia mesmo ser um homem comum. Ele foi um herói. Será que quem acusa Tiradentes daria seu pescoço por um ideal? Será que quem acusou Lampião e Zumbi, algum dia terá a bravura deles?
   Todos falam hoje em cidadania, mas esta não existe sem patriotismo. Não se ama mais a pátria e nossa pouca cultura sucumbe sob o som dos tchans e pagodes. Onde estão as belas e sonoras bandas, executando o Hino da Independência? Onde hoje, numa escola, hasteia-se a bandeira nacional e canta-se nosso Hino, todos os dias?  Para onde ficaram os desfiles patrióticos? O jovem de hoje, sem a cultura patriótica e vivenciando a podridão da corrupção que assola nossa política, não tem parâmetros, não tem onde se espelhar. A mídia pouco ou nada faz contra isso. A religiosidade sucumbe ante a indústria de novelas e programas de auditório que nada acrescentam. Ao jovem então resta acreditar que nosso país sempre foi assim, que os grandes homens não existiram. E então, à frente deles, após a triste realidade, apenas o caminho das drogas...


 Como pesquisa para quem quiser sentir a ação através da "moderna" literatura escolar  devem procurar  As Rebeliões na República Velha e as Rebeliões Nativas com citações do livro da “nova História do Brasil” e a História integrada, no site edms.kit.net
 

 

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