Dino Volpato
Um dos maiores pioneiros da fotografia em Barra Bonita

  


  Ele começou em 1950, como "retratista", como se chamavam os fotógrafos antigamente. Vindo de Chaporã, região de Assis, SP, ele montou seu estúdio fotográfico em Barra Bonita em 1961. A máquina fotográfica, criada por George Eastman em 1888, virou a paixão de Dino Volpato, que se aposentou na década de 90. Aos 16 anos de idade ele já começou a aprender a arte da fotografia com seu pai. Segundo seu Dino, a paixão da fotografia está no sangue da família. "Pai fotógrafo, ensinou a mim e a meu irmão, que trabalha em Pirajui, junto com os filhos. Minha filha virou fotógrafa e meus três filhos trabalharam comigo, como fotógrafos", explica.
 Seu Dino disse ter dado sorte, pois chegou em Barra Bonita no apogeu da Usina da Barra e também da Tenco, empresas com milhares de funcionários, que acabaram virando clientes dele. "Eu chegava a trabalhar 36 horas diretas nos fins de semana para poder dar conta do serviço", comenta.
  Mas, mesmo aposentado, seu Dino acompanhou a evolução na área da fotografia. De acordo com ele, até a década de 70, nas pequenas cidades, ainda predominavam as fotos em preto e branco, pois os filmes eram mais baratos que os coloridos. Fotos coloridas só para gente chique! Na época, conta ele, também a maioria dos profissionais usavam os cartuchos 120, que dava para tirar 12 fotos e, se estivesse fotografando um casamento, o filme "costumava" terminar justamente na hora da troca das alianças..."Era um tal de rebobinar manualmente o filme, tirar da pesada Yashika pendurada ao pescoço, colocar outro cartucho o mais rápido possível e pedir para o padre e os noivos repetirem tudo!...Era terrível!" Lembra, rindo.
  Depois de 1970, com o crescimento do mercado fotográfico e a entrada das máquinas 35mm, houve uma reviravolta: os filmes coloridos passaram a ser consumidos mais por profissionais e amadores, o que levou o preço deles a ir caindo, gradativamente. Hoje, por incrível que pareça, os filmes em preto e branco são caríssimos, além de depender do fotógrafo ter seu próprio laboratório. A foto P&B ficou reduzida apenas ao trabalho de profissionais e artistas fotográficos, como Sebastião Salgado, por exemplo.
  Mas da década de 60 para trás, a coisa era bem pior, conta seu Dino. As máquinas eram enormes e pesadas, colocadas em um tripé e, no lugar do filme, ia uma chapa, que mais tarde daria aos fotógrafos ainda usuários de tal equipamento, o apelido de "lambe-lambe"...E flash então, nem pensar. Antigamente eram os chamados "ovos de pato", tipo uma lâmpada que parecia estourar na hora da foto. Era uma para cada foto! Mas antes ainda era pior: a gente usava uma lata comprida, com um cabo embaixo e, dentro daquela lata ia nitrato de prata, que após acionada uma espoleta, era incendiado, dando o clarão necessário para a foto...Vê-se muitos desses nos filmes de western.
  E era assim, e foi assim que seu Dino, aos 17 anos de idade, trabalhando com um fotógrafo alemão, em São Paulo, capital, espantou todas as pessoas do salão do Lions Clube local, pois o teto da casa era baixo, e assim que o nitrato fez fogo, liberando sua fumaça de cheiro adocicado, as pessoas tossindo os pulmões, tiveram que sair do clube para tomar ar fresco!  "Hoje eu dou risada, mas na época, a gente mais queria era achar um buraco pra se esconder, de tanta vergonha" - Finaliza seu Dino.
  O grande profissional de Barra Bonita teve, além do que lhe ensinou seu pai,  um aprendizado de valor inestimável, quando trabalhou de ajudante, também em São Paulo, de Sebastião Carvalho Leme, fotógrafo da extinta Companhia Vera Cruz de cinema. 

                              Na foto, Dino Volpato ao lado de uma histórica câmera alemã, usada por ele até a aposentadoria - Foto e matéria de Sergio
Ferraz, para o Jornal da Barra, em 1994

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