Orlando Ometto
 Nunca uma cidade deveu tanto a um homem

 
 
 
 
 
 
 

   Barra Bonita, interior de São Paulo, a meu ver, estudando sua história desde a fundação em 1883 por Salles Leme e Pompeu, viveu duas épocas: a do nascimento, com o trabalho dos imigrantes que aos poucos foram levantando os alicerces da Cidade Simpatia, com suor, sangue, fé e a visão de um grande futuro, tanto para eles, como  para seus filhos e netos.  Foi a época dos vapores singrando o ainda limpíssimo rio Tietê, da Maria-fumaça que cortava os verdes cafezais até o bairro de Campos Salles, dos transportes feitos em carroças puxadas por animais até Jaú, da Societá Italiana. A terra pulsava com o crescimento da vila que acabou se tornando cidade. 
  A segunda época, aquela que consolidaria o crescimento de Barra Bonita e lançaria seu nome internacionalmente como a maior produtora de açúcar e álcool do mundo, começou quando um jovem com apenas 22 anos de idade veio para cá, a mando de seu pai, para tocar um dos negócios da família, ou seja, uma pequena destilaria. Isso foi em 1944. E quando mais tarde a destilaria se transformou na grande Usina da Barra, a maior do mundo em produção sucroalcooleira, Orlando Ometto se tornava o marco divisor das duas épocas. Antes da Usina da Barra e depois da Usina da Barra.

10 mil empregos!

  Até a década de 80, a Ubasa gerava 10 mil empregos diretos e indiretos em Barra Bonita e na região e até em outros estados, pois na época da safra, trabalhadores de vários estados brasileiros vinham trabalhar aqui. Findada a safra, alguns voltavam, mas outros ficavam, entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, formando famílias e criando suas raízes. 
  Mas nem só da cana-de-açúcar viveu Orlando Ometto. Em 1948 e em 1952, ele foi vereador em Barra Bonita, também lutando pela Comarca de Barra Bonita, o que desataria os laços administrativos que prendiam a cidade então à Jaú. 
  E também Orlando Ometto não sentou-se numa cadeira de balanço na Piataraca (sua fazenda) e ficou a olhar embevecido os canaviais agitados ao vento, o que ele, como vencedor, merecidamente poderia ter feito. Mas não. Sua participação em benefício da comunidade que o acolhera, não tinha fim. 
  Clubes sociais e esportivos, entidades assistenciais, beneficentes, religiosas, educação, desenvolvimento econômico do município alavancando vários empreendedores e mais o projeto da Vila Habitacional, sempre tiveram a atenção e o apoio moral e financeiro de Orlando Ometto, com doações de terras, materiais e prestação de serviços, entre outras.

Ajudando a formar novos empresários

  Como agente do desenvolvimento econômico de Barra Bonita, apostando e incentivando jovens empreendedores na época, podemos citar duas empresas, apenas como exemplo, cujos proprietários receberam o devido “empurrão” de Orlando Ometto e mostraram que ele não errou ao apostar neles. Com muita garra e começando humildemente, uma com um ônibus, acabou se transformando na Barra-Tur, até pouco tempo absoluta na área de transporte coletivo e turismo; e a outra, com apenas dois caminhões, transformou-se na grande Transportadora Risso, dominando hoje o transporte de cargas em quase todo o Estado de São Paulo e outros estados. 
  Mas, além dessas duas empresas, Orlando Ometto foi também responsável pelo início de outra, a formidável empresa aérea TAM, do comandante Rolim.

O Comendar Orlando Chesini Ometto

  Em 31 de maio de 1959, numa cerimônia pública realizada na praça da Matriz de São José, com o agrupamento de quase toda a cidade, Orlando Ometto, em reconhecimento das autoridades religiosas pelas suas ações beneméritas, recebeu a Comenda de “Cavaleiro Comendador da Ordem de São Silvestre”, concedida a ele pelo então papa João XXIII. 
  E o jovem vindo de Piracicaba para um local até então desconhecido, se transformava, além de maior empresário da região, em cavaleiro e comendador, uma honraria somente outorgada a grandes e dignos homens. Em 1963, o comendador Orlando Ometto também recebia do Poder Público de Barra Bonita o título de Cidadão Benemérito. 
  Mas mesmo sendo um poderoso empresário e com todas essas honrarias, a história conta que Orlando Ometto sempre preferiu o anonimato. Seu grande prazer, além de ajudar as pessoas, era pescar no pantanal mato-grossense. O contato com a natureza, em locais ainda inexplorados, fizeram-no um defensor da ecologia, muito antes desta ser tema obrigatório. Ele chegou até a patrocinar a edição de um livro sobre a preservação das espécies vivas daquela região, demonstrando sua preocupação sobre o assunto. Amigos, funcionários e todas as pessoas que o conheceram de perto, lembram a educação, os exemplos de compreensão, o equilíbrio de suas decisões e a grande sensibilidade na busca de soluções para os problemas do dia a dia, na vida do dirigente da maior produtora de açúcar e álcool do mundo.

A boa semente

  Não conheço os outros filhos de Orlando Ometto e, por isso, me refiro aqui apenas ao Pedrinho Ometto, que segundo muitas fontes, também, seguindo os passos do pai, dedicou-se muito a ajudar as pessoas. Mas o que realmente importa é a certeza que o comendador Orlando Ometto deixou, além de boas ações, também boas sementes. Sua memória não será jamais apagada, pois ela foi alicerçada em seu amor pelo semelhante. Assim ela continuará em Barra Bonita, como em Jaú, onde existe o Jardim Orlando Ometto e assim em outras cidades e até estados. Em Igaraçu do Tietê ela está no Estádio Municipal Orlando Ometto; em Monte Alto, SP, ela está na Rodovia Orlando Ometto; e até em Mato Grosso do Sul, na cidade de Miranda, no Aeroporto Orlando Ometto.

O homem passa, mas sua memória permanece

  Nascido em Piracicaba em 31 de agosto de 1922, Orlando Ometto faleceu em São Paulo, capital, em 13 de dezembro de 1988, com apenas 66 anos de idade. Ele está sepultado em Barra Bonita, a cidade que recebeu tanto amor de sua parte. Mas como escrevi acima, o homem passa e fica sua memória registrada, ou pelos seus entes queridos ou pela própria História, que é imparcial, guardando para a posteridade tanto a memória de homens dignos, como também dos infames, como uma lição para a Humanidade. E a História guardou entre os dignos, não só a memória do Comendador Orlando Chesini Ometto, mas também daquele jovem que chegou em Barra Bonita em 1944 para se tornar o marco divisor da história da própria cidade.

Foto sr. Orlando: Oliosnaide Jr (Night) 

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