Os seres humanos que lutaram e procuraram exercer amor e justiça aqui na Terra, terão sua memória preservada; e os que a nada se dedicaram a não ser a eles mesmos, serão esquecidos. Mas os monstros, que desde a antiguidade fizeram o mal, serão lembrados para que a chama de cada um no inferno jamais se apague...
  Este trabalho, trazendo aos leitores narrativas sobre grandes homens, que de uma forma ou outra contribuiram para 
com a comunidade ou ajudaram os mais necessitados, foi criado por mim ainda quando editava a revista regional Destake. Eu acreditava (e acredito) que a memória de tais pessoas, homens ou mulheres, não pode ser esquecida.
  E existem ainda, somente aqui na região de Barra Bonita, Mineiros do Tietê, Macatuba, Igaraçu do Tietê, Dois Córregos, Jahu e outras, muitas pessoas especiais, das quais também é preciso preservar a memória. Desde 2007 o
GNT iniciou e agora retomou esta linha editorial, falando sobre mais pessoas ainda, ou em matérias isoladas ou na página Homenagem, que inauguramos nesta edição e no Memória Viva.
Ao lado o cientista Sir Alexander Fleming, premio Nobel de medicina em 1945, responsável pela descoberta da penicilina, que viria salvar milhares de vidas em todo mundo...Ninguém pode ser um Fleming ou um dr. Sabin, criador da vacina contra paralisia infantil. Você pode ajudar um idoso atravessar uma rua movimentada ou plantar um pé de árvore. Como disse Jesus, até um copo d'água dado aqui a uma pessoa simples, será recebido lá em cima pelo Senhor...
Ademar Roberto Silva (Dema)



 
 
 
 
 

De maneiras simples, gestos humildes, o corpo franzino já meio arcado pelo peso inexorável da idade, ele era, no entanto, mais lúcido e com mais energia que muito jovem. E o seu prazer pela leitura, desde a mocidade, mais sua natural curiosidade, deram-lhe uma grande bagagem cultural, o que o levou a escrever 3 livros e mais uma centena de artigos no antigo Jornal da Barra. 
 Ademar Roberto Silva, nascido em 10 de novembro de 1939, casado com dona Vitória e pai de Larissa e Yuri, era filho do marinheiro Arthur Silva, dos antigos vapores que singravam o então límpido Rio Tietê. Dessa filiação e mais sua vivência junto ao povo que morava às margens do rio, na sua maioria marinheiros e pescadores, Dema tirou toda sua cultura de "contador de causos" do Tietê e da velha Barra Bonita. 
 Foi assim que surgiu seu primeiro livro, Barrancas do Tietê, onde ele leva o leitor a uma impressionante viagem pelo rio através da ótica de marinheiros, passageiros dos vapores e população ribeirinha. 
 Em seu segundo livro, que recebeu o mesmo título: Barrancas do Tietê II, Dema narra histórias dos imigrantes italianos em Barra Bonita, enfocando, assim como no primeiro livro, além dos causos do rio, personalidades ilustres que viveram e lutaram em Barra Bonita. 
 Apaixonado por tudo que se dizia cultura popular, Dema, com muito esforço e conta própria, acabou introduzindo em Barra Bonita a chamada Festa do Divino, o que o levou a ocupar o cargo de diretor de Cultura Popular e colocou o evento no calendário turístico da cidade, sendo comemorada todos os anos, desde então. 
 Porém, mesmo com a saúde já um pouco abalada, o incansável Guardião da História Popular de Barra Bonita, título conferido a ele pelo advogado Luiz Pizzo, ainda se debruçou sobre sua velha máquina de escrever para criar seu terceiro e último livro: Das Barrancas aos Paralelepípedos, onde ele deixa suas amadas margens do Tietê e adentra a cidade que crescia em ebulição, com o progresso advindo das pedras retangulares (paralelepípedos) cobrindo as ainda poucas ruas da cidade e também pela força dos braços dos imigrantes italianos, na época áurea do café. Ouvia-se já meio fracamente o apito da Maria Fumaça, que fazia suas últimas viagens até a estação de Campos Salles, surgiam os salões de bailes e a sociedade barra-bonitense já prescrevia limites entre a cidade e o povo das barrancas, que ia se acabando aos poucos, como a fumaça do trem e dos vapores. E assim é o progresso, infelizmente, sempre fazendo desaparecer o velho no surgimento do novo. 
 Mas, como não podia deixar de ser, Dema, após fazer o leitor passear pelas ruas da Barra Bonita que crescia, volta, uma última vez, aos causos nascidos nas barrancas do Tietê. Como ele deixa ver claramente, após as barrancas, chegam os paralelepípedos e, após estes, o asfalto, negro e sufocante, marca estúpida do progresso. O coração dele parecia não aceitar aquilo. 
 E Dema vive seus últimos anos passeando pelas margens do rio,  perdido nas recordações dos vapores, da população ribeirinha, lembrando com saudade do marinheiro forte e corajoso, chamado Arthur.    Então, como um personagem do próprio livro, que aparece ou desaparece, segundo a imaginação do autor, em 18 de março de 2002  Dema embarca para outra dimensão. Nós não sabemos, mas, como em seus causos preferidos, é fácil imaginar que ele deve ter ido à bordo do Visconde de Itú ou do Queiróz, ajudado por Arthur a levantar âncoras... 

Ir para Memória Viva 02

 

GRANDES MATÉRIAS
MUNDO SERTANEJO
NOSSOS HERÓIS
REVOLUCIONÁRIOS
ESPECIAIS
HOME PAGE
 
 
 
 
 
 

 

Sergio Ferraz - Todos os direitos reservados