xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Marechal Deodoro
da Fonseca

O primeiro presidente do Brasil

 
 

Quem foi Deodoro 



 

  Manuel Deodoro da Fonseca, marechal  que viria a ser o divisor político-militar de águas entre o império português e a República, viria a ser o primeiro presidente do Brasil. Uma biografia consultada diz que ele nasceu em agosto de 1827 no Rio de Janeiro e foi faleceu em 23 de agosto de 1892, no mesmo local de nascimento, com apenas 65 anos de idade. Já a maioria das biografias dizem que Deodoro nasceu em Alagoas da Lagoa do Sul, no estado de Alagoas. A cidade hoje se chama Marechal Deodoro, em homenagem ao herói.
 Deodoro ingressou na carreira militar aos 16 anos de idade. Toda sua família tinha histórico militar. Seu batismo de fogo, como cadete de primeira classe da Artilharia, foi no combate à Revolta Praieira, em Pernambuco.
  Casou-se aos 33 anos com Mariana Cecília de Sousa Meireles, considerada pelos biógrafos mulher educada, religiosa, modesta e prendada. O casal não teve filhos. Há quem afirme que Deodoro fosse estéril. Seu sobrinho, Hermes da Fonseca, que também chegou à Presidência, era tratado por Deodoro como um filho.

 Carreira militar

  Antes de chegar a marechal,  Deodoro da Fonseca participou de várias batalhas, no Uruguai contra Aguirre e depois, com o novo governo uruguaio, o Brasil formou a chamada Tríplice Aliança, com Uruguai e Argentina, para combater o ditador paraguaio Solono López. Com isso Deodoro já alcançava a patente de capitão e em 1865, quando comandou o Exército brasileiro contra o Paraguai, que havia invadido nosso território através da províincia do Mato Grosso, já iria receber a patente de major. Na sequência, por atos de bravura, foi promovido a tenente-coronel, coronel,  brigadeiro, patente equivalente ao atual general-de-brigada,  comandante d'armas da Província do Rio Grande do Sul e, em 1887, recebia a patente de marechal-de-campo.

E começa um movimento civil
para a Proclamação da República

 A despeito da intensa propaganda republicana, a idéia da mudança de regime político não ecoava no país. Em 1884, foram eleitos para a Câmara dos Deputados, apenas três republicanos, entre eles os futuros presidentes da República Prudente de Morais e Campos Sales. Na legislatura seguinte, apenas um conseguiu ser eleito. Na última eleição parlamentar realizada no Império, a 31 de agosto de 1889, o Partido Republicano só elegeu dois Deputados.
 Percebendo que não conseguiriam realizar seu projeto político pelo voto, os republicanos optaram por concretizar suas ideias através de um sujo e traiçoeiro golpe militar. Para tanto, procuraram capitalizar o descontentamento crescente das classes armadas com o governo civil do Império, precisavam todavia, de um líder de suficiente prestígio na tropa, para levarem a efeito seus planos e foi assim que os traiçoeiros políticos (sempre foi assim),  passaram a aproximar-se de Deodoro, procurando seu apoio para um golpe de força contra o governo imperial. 
  O  que os ambiciosos  traidores não contavam era com a lealdade do marechal Deodoro, homem de convicções monarquistas, amigo do Imperador D. Pedro II. Dizia Deodoro querer acompanhar o caixão do velho Imperador.

O demônio acompanha e abençoa os políticos

  Em 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram correr o boato, absolutamente sem fundamento, de que o governo do primeiro-ministro liberal Visconde de Ouro Preto havia expedido ordem de prisão contra o Marechal Deodoro e o líder dos oficiais republicanos, o tenente-coronel Benjamin Constant. Tratava-se de proclamar a República antes que se instalasse o novo Parlamento, recém-eleito, cuja abertura estava marcada para o dia 20 de novembro.
 A falsa notícia de que sua prisão havia sido decretada foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o governo imperial. Pela manhã do dia 15 de novembro de 1889, o marechal reuniu algumas tropas e as pôs em marcha para o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclamação, hoje chamado Praça da República. Penetrando no Quartel-General do Exército, Deodoro decretou a demissão do ministro Ouro Preto, mas, a essa altura, outros ministros se acovardaram e telegrafaram ao Imperador, que estava em Petrópolis, RJ, pedindo demissão. Ninguém falava em proclamar a República, tratava-se apenas de trocar o Ministério. O próprio Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou um "Viva Sua Majestade, o Imperador!"

Mais uma traiçoeira jogada para quebrar
de vez a resistência do herói militar

  Enquanto isso, D. Pedro II, tendo descido para o Rio de Janeiro, em vista da situação, reuniu o Conselho de Estado no Paço Imperial e, depois de ouvi-lo, decidiu aceitar a demissão pedida pelo Visconde de Ouro Preto e organizar novo Ministério. Os republicanos precisavam agir rápido, para aproveitar os acontecimentos e convencer Deodoro a romper de vez os laços com a monarquia. Valeram-se de outra notícia falsa: os indígnos políticos Quintino Bocaiúva e o Barão de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro, para informar-lhe que o novo primeiro-ministro, escolhido pelo Imperador, era Gaspar Silveira Martins, político gaúcho com quem o marechal não se dava por conta de terem disputado o amor da mesma mulher na juventude. Assim, foi Deodoro, em sua inocência política, convencido a derrubar o regime.

A Proclamação da República

  Pelas três horas da tarde, reunidos alguns republicanos e vereadores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi lavrada uma ata, declarando solenemente proclamada a República no Brasil, que foi levada ao Marechal Deodoro. À noite do dia 15, o Imperador encarregou o conselheiro José Antônio Saraiva de presidir o novo ministério. O novo primeiro-ministro, também em ato desleal ao imperador, dirige-se por escrito ao marechal, comunicando-lhe a decisão do Imperador, ao que responde Deodoro que já havia concordado em assinar os primeiros atos que estabeleciam o regime republicano e federativo. 
  Na noite de 15 de novembro de 1889, foi constituído o Governo Provisório da República recém-proclamada, tendo como Chefe o Marechal Deodoro, com poderes ditatoriais. O ministério foi composto de republicanos históricos, que estavam usando o herói já com intenções de chegarem ao poder após a queda do império, como Campos Sales, Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva, e de liberais traidores da Monarquia que aderiram de primeira hora ao novo regime, como Rui Barbosa e Floriano Peixoto, o único militar depois de Deodoro.
  O primeiro ato do novo governo foi dirigir uma proclamação ao país, anunciando a mudança de regime e procurando justificá-la. Pelo Decreto nº 1 foi adotada, a título provisório, a República federativa como forma de governo da nação brasileira, até que resolvesse a respeito o Congresso Constituinte que seria convocado. As Províncias do extinto Império foram transformadas em Estados federados.

O rei e sua família são expulsos do Brasil


D. Pedro II e a família real, com o fim da 
monarquia, são obrigados a sair do Brasil

 Em 16 de novembro, o marechal Deodoro mandou uma mensagem ao Imperador destronado, intimando-o a deixar o país dentro de 24 horas, e oferecendo-lhe a quantia de 5 mil contos de réis para seu estabelecimento no exterior. Pedro II recusou a oferta, e partiu na madrugada de 17 de novembro para Portugal, pedindo somente um travesseiro com terras do Brasil, para repousar a cabeça quando morresse.
  Já na manhã do dia 19 de novembro, o marechal recebia em sua casa alguns republicanos, liderados por Lopes Trovão, os quais iam submeter, já como fato consumado, à sua apreciação, o projeto da nova Bandeira do Brasil. Deodoro, porém, considerou a bandeira que lhe fora apresentada por Lopes Trovão como um arremedo grosseiro da bandeira dos Estados Unidos. Os republicanos insistiram que só restava a Deodoro oficializar a bandeira por eles apresentada, pois a mesma já tremulava em alto mar, no mastro do Alagoas, navio que conduzia o Imperador deportado ao exílio.
  Irritado, o marechal deu um soco na mesa, exclamando: - Senhores, mudamos o regime, não a Pátria! Nossa Bandeira é reconhecidamente bela e não vamos mudá-la de maneira nenhuma!
 Os republicanos ficaram sem resposta e a sua bandeira foi, posteriormente, para o Museu da Marinha, ficando conhecida como a bandeira provisória da República, embora nunca tenha sido oficializada. A explosão de raiva do herói da República, sublinhada com um soco na mesa, foi acompanhada pelo carrilhão da Igreja de São Jorge, que batia doze horas. Disso surgiu a tradição brasileira de só hastear-se a bandeira nacional, no dia 19 de novembro, ao meio-dia em ponto.

 O Brasil é reconhecido por outros
países como República Brasileira

  Primeiro foi a Argentina e os demais países hispanófonos da América: Venezuela, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, México e o Equador. Os Estados Unidos, nação que os republicanos brasileiros preconizavam como padrão a ser imitado pelo Brasil (desde aqueles tempos...), retardaram o reconhecimento oficial da República brasileira até 1890.  O governo da República Francesa quis tirar vantagem da situação para conseguir do Brasil o reconhecimento de seus supostos direitos sobre o norte do Amapá. Deodoro mandou eles plantarem batatas e eles reconheceram a nova nação.
 O Império Alemão reconheceu o governo republicano brasileiro também em 1890 e a Grã-Bretanha aguardou que se promulgasse a nova Constituição. Só em 1891 o representante diplomático do Brasil foi recebido pela Rainha Vitória.
  Até o fim de 1891, a República brasileira estava reconhecida por todas as nações, com excessão da Rússia que não quis reconhecer o novo regime senão depois do falecimento de D. Pedro II.

Os atos do primeiro governo republicano brasileiro

  Em 1889 houve um motim no 2o Regimento de Artilharia Montada. Era um sintoma da indisciplina militar que se seguiu ao golpe que proclamou a República. Embora não se tenha demonstrado qualquer relação do motim com elementos monarquistas, o Governo acusou-os de maquinarem o levante, decretando o banimento do Visconde de Ouro Preto, de seu irmão Carlos Afonso de Assis Figueiredo e de Gaspar da Silveira Martins, que eram elementos ligados à monarquia.
  Também a imprensa foi acusada de insuflar perturbações contra o regime. Assim, por um decreto de 23 de dezembro do mesmo ano, resolveu-se instituir a censura e suprimir a liberdade de imprensa, criando uma junta, composta só de militares, incumbida de julgar sumariamente os que fossem acusados de abusos no exercício do jornalismo.
 Em 15 de janeiro de 1890, Deodoro foi aclamado, pelas tropas, Generalíssimo de Terra e Mar, tornando-se, assim, o único oficial-general de seis estrelas no Brasil. 
  Em 7 de janeiro de 1890 foi decretada a separação entre a Igreja e o Estado. Por um decreto de Deodoro, o Brasil deixou de ser um país oficialmente católico, apesar de o catolicismo ser professado pela quase totalidade do povo brasileiro, na época. Foi também extinto o padroado, ou seja, a intervenção do Estado nos assuntos da Igreja.
  Em 23 de janeiro do mesmo ano, foi institucionalizado o casamento civil, ficando sem efeitos jurídicos o matrimônio religioso. Também foi instituído o registro civil, proibido o ensino de religião nas escolas públicas e secularizados os cemitérios.
  Em 17 de janeiro de 1890, o então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, um dos mais cultos brasileiros da época, advogado, político e sem um grande caráter, meteu-se a deslocar o eixo da economia brasileira da agricultura para a indústria, deu início a uma reforma monetária e bancária, baseada nos melhores livros estrangeiros. A reforma consistia em autorizar os bancos a emitir papel-moeda sem lastro em ouro e prata. O sistema de bancos emissores e as facilidades concedidas para a organização de empresas provocaram inflação e uma desastrosa especulação financeira, com a crise da bolsa e a ruína de numerosos investidores. A crise ficou conhecida como o "encilhamento". O advogado entendia de oratoria, ficou famoso com o discurso de Haia, na Holanda, mas não passou disso. Ofuscado também pela ambição do poder, tentaria ser presidente do Brasil anos mais tarde, mas nada conseguiu. Sua participação na história da República, se teve alguma dignidade, foi o discurso na Holanda e o ódio, por motivos políticos contra Floriano Peixoto, até a morte deste, pois o mesmo, num ato de traição a Deodoro, ameaça promover uma carnificina no Rio de Janeiro, disparando canhões contra a cidade se Deodoro não renunciasse. O nobre marechal, é claro, entregou o governo a Peixoto.
  Antes disso, ainda no poder, Deodoro, em 11 de outubro de 1890,  promulgaria o novo Código Penal, que extinguia a pena de morte, em tempo de paz, no Brasil.

O Congresso Nacional Constituinte de 1890

 Em 3 de dezembro de 1889 o Governo Provisório nomeou uma Comissão especial para elaborar o projeto de Constituição que seria apresentado ao Congresso Constituinte da República. Compunham-na Joaquim Saldanha Marinho, signatário do Manifesto Republicano de 1870, que foi escolhido presidente da Comissão; os republicanos históricos Américo Brasiliense, Francisco Rangel Pestana e os juristas Antônio Luís dos Santos Werneck e José Antônio Pedreira de Magalhães Castro. Iniciados os trabalhos, três foram os anteprojetos que seus membros elaboraram, os quais foram reduzidos a um só, inspirado nas constituições dos Estados Unidos e da Argentina. Foi entregue, em 30 de maio de 1890, ao Governo que, de 10 a 18 de junho realizou minuciosa revisão, efetuada, em especial, por Rui Barbosa, melhorando sua redação e modificando sua estrutura. Em 22 de junho de 1890 era aprovado o projeto dito "do Governo Provisório". O Congresso Constituinte foi convocado por decreto de 21 de dezembro de 1889, para reunir-se no dia 15 de novembro de 1890. No dia 15 de setembro realizaram-se as eleições em todos os estados brasileiros.
  Deodoro da Fonseca apresentou-se como candidato a Presidente, tendo como candidato a vice, na mesma chapa, o Almirante Eduardo Wandenkolk. Na época, presidente e vice eram eleitos separadamente. Como já havia forte oposição a Deodoro, esta articulou a candidatura de Prudente de Morais, o presidente do Congresso, tendo o Marechal Floriano Peixoto como candidato a vice. Floriano, além de candidatar-se a vice-presidente, na chapa de Prudente de Morais, apresentou também candidatura própria à Presidência. As canalhices políticas parecem ter fincado raízes no Brasil desde a proclamação da República...
  Apurada a votação, em 25 de fevereiro de 1891, foi obtido o seguinte resultado na eleição para presidente: Deodoro da Fonseca - eleito com 129 votos; Prudente de Morais - 97 votos; Floriano Peixoto - 3 votos; Joaquim Saldanha Marinho - 2 votos; José Higino Duarte Pereira - 1 voto; cédulas em branco - 2. Para vice-presidente foi eleito o candidato da oposição, Marechal Floriano Peixoto, com 153 votos, contra 57 recebidos pelo Almirante Wandenkolk.

 O governo constitucional de Deodoro

 A fase constitucional do governo de Deodoro da Fonseca foi de fevereiro a 03 novembro de 1891. Já havia, naquele momento histórico, um conflito entre os militares e os políticos civis. Os militares queriam se manter na política e eram favoráveis a uma centralização absoluta e a concentração do poder político, enquanto os civis, conseguindo se livrar do poder monárquico usando Deodoro, desejavam a volta dos militares aos quartéis e lutavam por um governo descentralizado e federalista.
 Os republicanos de São Paulo apoiavam Floriano Peixoto, apesar das tendências centralizadoras deste. Devido ao apoio de São Paulo, os militares ficaram divididos, e isso veio mais tarde a provocar a queda de Deodoro.

 A revolta para derrubar Deodoro

  A primeira Revolta da Armada ocorreu no dia 23 de Novembro de 1891, quando o Almirante Custódio de Melo, acionado por Floriano Peixoto, a bordo do Encouraçado Riachuelo, ameaçou bombardear o Rio de Janeiro caso Deodoro não renunciasse. O Marechal Deodoro, então, cedeu às pressões e renunciou ao cargo de presidente da República.

 A morte inglória do herói da República


 
 
 
 
 

 O Marechal Deodoro, isolado, doente, morre em 1892, pedindo para ser enterrado em trajes civis, pois morria desiludido com as forças militares, às quais dedicara toda sua vida. Mas ele não foi atendido e seu enterro teve toda a pompa e honras militares. O marechal que proclamou a república no Brasil, cujo fato histórico é hoje feriado nacional, era acometido de uma forte crise de dispnéia, popularmente conhecida como "dificuldade de respiração" ou "falta de ar", o que impedia o primeiro presidente do Brasil de dormir.
 

 

GRANDES MATÉRIAS
MUNDO SERTANEJO
NOSSOS HERÓIS
REVOLUCIONÁRIOS
ESPECIAIS
HOME PAGE
 
 
 
 
 
 

 

 Sergio Ferraz - Todos os direitos reservados