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Dos campos de algodão sulistas para o mundo
do Rock'and roll Music
Com sua melodia rude e forte, Robert Johnson, lenda do blues, mostra de onde surgiram as raízes do rock

 As raízes do Rock’in Roll começaram nos campos de algodão entre os negros escravos, percorreram as poeirentas estradas do sul dos EUA, até chegarem a Memphis, que pode-se chamar de a capital do Rock. Dai pra frente o balanço que provocou profundas mudanças sociais, espalharia suas notas musicais pelos quatro cantos do mundo.


 
 

  A organização de um show simultâneo nas cidades de Londres e Filadélfia com o objetivo de arrecadar recursos para o povo da Etiópia (Life Aid), em 13 de julho de 1985, por Bob Geldof, culminou por transformar essa data no Dia Mundial do Rock.
  Desde então o Rock’in Roll passou a ter o seu dia comemorado internacionalmente. Mas, como qualquer roqueiro diria, mãe também tem seu dia a ser comemorado, mas todos os dias é Dia das Mães e assim, o Rock é como mãe. Todo dia é Dia de Rock e por isso o GNT relembra esta matéria, produzida anos atrás, quando ainda usávamos a mídia impressa e nem imaginávamos um dia ter um site.
  Creio que também deve ter sido assim com os escravos no sul dos EUA, que na colheita do algodão, cantavam seus lamentosos blues, lembrando a mãe África e a liberdade. Eles jamais poderiam imaginar que aqueles lamentos doloridos fossem se transformar em várias tendências musicais que por sua vez dariam a cria híbrida do Rock’in Roll, que acabou unindo raças e se transformou em símbolo de contestação.

  O rock é o ritmo que mais influenciou - e ainda influencia gerações, desde a década de 50, quando apareceram as primeiras estrelas do rock, como Litle Richard, Chuck Berry, Richie Valens e Buddy Holly (os dois últimos mortos anda jovens, no auge do sucesso, num acidente de avião), The Marcels, Bill Halley e seus Cometas, Paul Anka, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison, Chubby Cheker e o maior astro do rock'and roll  de todos os tempos: Elvis Presley.
 

Buddy Holly, Ritchie Vallens, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis - Acima, Chuck Berry e Roy Orbison
Bill Halley, The Praters e Carl Perkins, o criador do cult Blue Sued Shoes

  No Brasil, os precursores do rock, ainda que cantando versões dos cantores americanos, foram Cely e seu irmão Tony Campello, Carlos Gonzaga, Demétrius, Sérgio Murilo e Roni Cord. Em meados da década de 60, surgiam também Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderléia e outros, num movimento que foi chamado de Jovem Guarda, mas ainda imitando as estrelas anteriores.
 E na Inglaterra surgia  uma banda que iria modificar os rumos do rock a partir de então. O nome era simples: The Beatles, mas a influência deles foi como fogo na gasolina, logo se espalhando por todos os países. No Brasil, na onda dos reis do Ié,ié, ié, como citado acima, surgiria o movimento chamado Jovem Guarda, liderado por Roberto Carlos. E dentro desse movimento, para o qual os intelectuais que viviam às turras com o regime militar, iriam torcer o nariz,  apareceram as primeiras bandas de rock, como Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis e Fevers.
 

Demétrius, Carlos Gonzaga e Roberto Carlos
Cely e Toni Campelo, Sérgio Murilo (à frente) e Carlos Gonzaga ao fundo - Ao lado, época áurea da Jovem Guarda na Tv Record


Ao final, após os pioneiros do rock brasileiro e da Jovem Guarda, foi Raul Seixas
mesmo quem ficou conhecido como "o rei do rock" no Brasil

 Não havia uma identidade musical brasileira além do samba e da bossa nova. O rock nascera nos EUA e era de lá que se sorvia as novidades. O rock de Elvis Presley e seus companheiros da década de 50, que ficaram conhecidos como rebeldes sem causa, pois a intenção era apenas contestar os padrões da época impostos pelo sistema, ganhou força mais contestatória a partir de 60, com Beatles, Rolling Stones, a guerra do Vietnam e Woodstock. As letras ganharam conotações políticas e sociais. O rock assumia uma postura ainda mais agressiva, com destaques para Bob Dylan e Joan Baez.
 Surgiam também a partir de 70, as bandas que se transformaram nos monstros sagrados do rock, como Pink Floyd, Lad Zeppelin, Black Sabbath, Sex Pistols, Yes, Queen e Iron Maden. No Brasil, não numa linha tão agressiva, mas assim mesmo constestatória, dentro do hard rock e do rock progressivo, iam surgindo O Terço, Made In Brazil e Legião Urbana, Ira e Titãs.
 O rock internacional já havia pulado do heavy metal de Black Sabbath, de som metálico e agressivo, para o hard rock, que gritava contra o mundo, com letras mais contundentes e execução musical forte. Eles precisavam ser ouvidos!
 Mas isso acabaria na década de 80 e aparecia o rock progressivo (ou sinfônico),  com Gentle Giant e Jethro Tull, entrando depois a onda do rock new wave, com Blonde e o gótico, com David Bowie. No Brasil pintavam os Paralamas do Sucesso, Blitz, e Ultrage a Rigor. Do nosso rock tupiniquim, segundo Aquino Batista, criador e líder da banda Torre de Babel, os mais respeitados lá fora, pela produção musical, são os Mutantes, de 70, e na época desta matéria, o Sepultura.
 
 

Jimmy Hendrix
fez parte da
geração de
Woodstock

  "A partir de 90, o que aconteceu no rock foi uma reciclagem. Como num círculo vicioso - ou viciado, cantores e grupos de rock foram buscar lá atrás a fonte para hoje. Assim, se em 60 e 70 tivemos Beatles e Rolling Stones, hoje temos Oasis e Blur, dentro da mesma linha; e se havia o Sex Pistols, hoje tem o Green Day", explica Aquino. E continua: "Em 90, além do Nirvana e do Sonic Youth, que surgiu em 80, mas ainda está em pleno vapor musical, temos o Antrax, com seu funck metal, o Rage Agains The Machine, já com seu terceiro Cd e, no rock puro, Ramones. No heavy, o Kiss ainda bate forte, e no hard, o Deep Purple", conclui.
  Para Aquino, no Brasil os fortes hoje são, além do Sepultura, Os Raimundos com seu "forróck", Chico Science e Nação Zumbi, que foi a grande novidade a nível do rock instrumental  surgida nos últimos anos. Fora as bandas, individualmente as maiores estrelas do rock brasileiro contemporâneo ainda continuam sendo Rita Lee, Renato Russo e Raul Seixas.

Rock’and Roll  forever

  De acordo com Muddy Waters, um dos papas do blues, o rock era um bebê do blues. Entre as canções dos negros apanhadores de algodão no sul dos EUA, até o rock pauleira, houve  um longo período de gestação, que fez do rock uma cultura que chocou e transformou socialmente o Planeta. Do folk de um ex-presidiário chamado Huddie Leadbetter ao rhythm & blues e finalmente ao rock nos anos 40, que tinha uma predominância negra, tudo mudaria a partir de 1954, quando um garoto branco com voz de negro, chamado Elvis Aaron Presley, juntou-se com dois amigos para ensaiar algumas canções, que a partir de então seriam o embrião do som que iria assolar os quatro cantos da Terra. A partir da década de 60, que se tornaria um dos mais importantes períodos culturais da história contemporânea da Humanidade, o rock passou a ser a mais aberta e democrática das culturas.




Aquino, líder e vocalista
da banda Torre de Babel

Pesquisa e texto - Sergio Ferraz
Material: colaboração de Aquino Batista e Thiago Felipe
Fotos: vários amigos colaboradores e fãs

 

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