OS GUERREIROS DA TRISTE FIGURA
 


 E eles habitavam toda a terra do pau Brasil, e a terra era deles. As matas eram deles, os rios e cachoeiras eram deles, as montanhas e as planícies também eram deles. E eles sabiam que o Grande Espírito tinha feito tudo aquilo. Tinha dado verde às matas, azul ao céu limpo e tinha feito todas as árvores e a água cristalina para matar a sede deles. E tinha feito as vistosas borboletas e os lindos pássaros. E tinha dado o canto ao pássaro, a valentia à onça, a velocidade ao cervo e a agilidade aos macacos. E tinha dado a terra a eles, e eles cuidavam de cada árvore, de cada rio, de cada pássaro, sabendo que eram as belezas que o Grande Espírito tinha dado a eles junto com as terras imensas do pau Brasil, para os alegrar. 
  E eles viviam em paz, eram agradecidos e felizes. E eram milhões sobre a vastidão daquela terra abençoada. Mas, então chegaram os bárbaros homens brancos e os nossos irmãos civilizados, que chegavam a passar lama numa árvore onde havia um pequeno corte, para curar a árvore, de repente viam chegar o branco, e com ele as doenças, a ambição e a morte. 
  E a morte estendeu seu manto sobre as matas e os índios morriam de peste ou a tiros. Os brancos estavam tomando a terra deles e de seus ancestrais. Mas não tomavam a terra por causa da sua beleza, o que eles queriam era a pedra amarela que havia na terra. 
  Hoje toda a imensidão de terras já não pertence ao índio, e sim ao branco, que roubou suas terras, derrubou suas matas e matou seus animais e sujou e estragou seus rios. 
  Algumas nações indígenas desapareceram e outras ainda sobrevivem com o pouco que o branco lhes deixou. A terra não mais lhes pertence, os animais não mais podem brincar entre as árvores, pois no lugar da terra fresca e macia, surgiu o negro e e abafante asfalto; no lugar das planícies, surgiram os loteamentos e as casas dos brancos. A vida deu lugar à morte. E os índios choraram e o Grande Espírito ficou muito triste. Ninguém mais podia brincar nos campos do Senhor...

Nas mãos do homem branco

  Quando Cabral descobriu a mina de ouro chamada Brasil, a população indígena era de cinco milhões de almas e, segundo estatísticas de 1996, ela foi reduzida pelo homem branco a 270 mil...Orlando Villas Bôas, que viveu anos entre os índios na década de 40, diria pouco antes de sua morte: "Eles eram alegres, cantavam e dançavam. Estavam em paz com o mundo. Hoje estamos sentindo que só nós (referindo-se aos irmãos) sabemos o alto preço dessa descoberta". Os irmãos Villas Bôas, Orlando, Claudio, Leonardo e Álvaro, desbravaram a região central do Brasil, expondo depois, indiretamente, os índios à ação predatória do homem branco.
  E hoje, o que vemos? Os índios, apesar de serem "protegidos" pela Constituição, continuam nas mãos do homem branco. Na quarta-feira, 24 de setembro de 2008, por incrível que pareça, o Supremo Tribunal Federal teve que julgar a causa entre fazendeiros e índios da reserva Caramuru-Paraguaçu, na Bahia. 30 fazendeiros e agricultores asseguram que os 54 mil hectares de terra que abriga 4.000 índios, pertence a eles.
  A Procuradoria Geral da República já havia enviado ao STF, em 2001, parecer favorável para a retirada dos 30 brancos da terra dos índios. Mas a coisa não se resolveu e teve o julgamento do dia 24, que também, devido a um pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito, não se resolveu, sendo a decisão "empurrada" para o final do ano. O relator foi o ministro Eros Grau, que votou a favor dos índios.
  Interessante é que o mesmo ministro Direito foi quem pediu vistas também no julgamento sobre demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, quando, segundo notícia da Folha de São Paulo e artigo de Marcelo Leite (Dia do Índio no Supremo), meia dúzia de fazendeiros de arroz, apoiados por políticos locais, querem também "fatiar" a terra que, por direito constitucional, pertence aos índios.
  O julgamento, ocorrido em 28 de agosto, teve como relator o ministro Carlos Ayres Britto, que votou pela total retirada dos não-índios da reserva. Defendendo sua posição, o ministro disse: "que a personalidade do povo indígena se carecteriza pela idéia do não-enriquecimento pessoal à custo do empobrecimento alheio, inestimável componente ético de que a vida social brasileira também carece, e se caracteriza também pela postura como que religiosa de respeito, agradecimento e louvor ao meio ambiente..."
  O STF, que acumula mais de 100 ações sobre terras indígenas, está sendo acompanhado nos julgamentos até por um represante da ONU para povos indígenas, o índio apache James Anaya. Ele ficou 12 dias no Brasil (época dos julgamentos) e foi embora, apenas dizendo que falta diálogo entre o governo e os índios, além de acusar o governo brasileiro de paternalista (SIC)...
  Antes de voltar aos EUA, Anaya recebeu duas denúncias de violência contra os índios, feitas pelo Conselho Indigenista Missionário. Uma das denúncias falava sobre um grupo de madeireiros armados que atacou terras dos índios Guajajara Tentehara, no Maranhão, e a outra, sobre o assassinato em Pernambuco de Mozeni Sá, líder dos índios Truká. A agressão foi feita no domingo, 17 de agosto de 2009, e o crime, no sábado, 23.

Eles se destacaram na 
luta pela justiça ao índio

Marechal Rondon



 
 

  Em 1891, Rondon se tornou professor da Escola Militar. Nesse mesmo ano, participou pela primeira vez da construção de linhas telegráficas no interior do Brasil, atividade a qual se dedicaria durante grande parte da sua vida. Estabeleceu, então, contatos amistosos com indígenas no estado do Mato Grosso, em regiões próximas à fronteira com o Paraguai e a Bolívia, iniciando, inclusive, a demarcação de suas terras. Em 1906, suas atividades estenderam-se à Amazônia, para onde também foi enviado com a finalidade de construir linhas telegráficas. Nessa ocasião, passou cerca de quatro anos internado na selva, chegando a Manaus somente em 1910. Nesse mesmo ano foi criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), do qual se tornou o primeiro diretor. Quando Cândido Rondon estava em terras indígenas, ele deixou, como marca principal, esta frase, referindo-se aos índios: "morrer se preciso for; matar, nunca!"

Os irmãos Villas Boas

Ministro Ayres Britto


 
 
 
 

  O ministro Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, nascido em 18 de novembro de 1942 foi um dos juristas brasileiros que mais chamaram a atenção da mída. Ele foi nomeado em 2003, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Autor de diversas obras jurídicas e de poesia, conferencista requisitado, mestre em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutor em Direito Constitucional também pela PUC e membro da Academia Sergipana de Letras.
 O ministro é conhecido também por enfrentar problemas jurídicos com trocadilhos engenhosos, que revelam a fragilidade de argumentação de teses contrárias. Foi eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tomando posse no dia 6 de maio de 2008, tendo como vice-presidente o ministro Joaquim Barbosa.

Ministro Eros Grau



 
 
 
 

  Considerado um dos mais conceituados ministros do STF, Eros Roberto Grau nasceu em 19 de agosto de 1940, em Santa Maria, RS. Ele também foi indicado para o Supremo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tomado posse em 30 de junho de 2004.
 Formado pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, turma do ano de 1963, ele, em 1966, recebeu o diploma de Especialização em Economia e Teoria Geral do Estado, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
 Doutor em Direito pela mesma Faculdade, em 1977 tornou-se Livre Docente também pela 
USP e em dia 15 de abril de 1980, recebeu o título de Professor Adjunto do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade e logo já passou a Professor Titular do Departamento de Direito Econômico e Financeiro.
 Exerceu a advocacia, em São Paulo, de 1963 até a sua nomeação para Ministro do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2004. Foi árbitro junto à CCI – Cour Internacionale d’Arbitrage, com sede em Paris, e em tribunais ad hoc, nacionais e internacionais, sendo membro do Comité Français de l’Arbitrage. Também foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no Brasil em 2003.
 Além de ter exercido vários outros cargos em Faculdades, no Exterior foi professor visitante da Faculté de Droit da Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) durante o ano letivo de 2003-2004 e da Faculté de Droit da Université de Montpellier durante os anos letivos de 1996-1997 e 1997-1998. Também participou, como expositor, de congressos no Brasil, na Argentina, no México, na Itália, na Alemanha, na Espanha, no Uruguai, em Portugal e na França e proferiu várias conferências no Brasil e em outros países americanos e europeus.

 
A TV Cultura também foi forte aliada



 
 
 

  Além de Rondon, dos Villas Boas, dos ministros que corajosamente deram votos favoráveis à demarcação das terras indígenas e também do trabalho de antropólogos e missionários, vale ressaltar aqui o ótimo programa levado ao ar pela Tv Cultura de São Paulo, sob a direção de Marcos Palmeira, ator global (foto), que emprestou seu carisma para sensibilizar  os telespectadores, levando-os a conhecer melhor a cultura indígena. O programa chamava-se A´Uwe, e fez da Cultura um canal de divulgação e de discussão das questões indígenas do país. A série exibia documentários sobre diversas tribos indígenas espalhadas pelo Brasil. Realizados por documentaristas ou pelos próprios índios, cada programa  nos aproximava de suas tradições, rituais, conflitos e histórias dos diferentes povos.
 De acordo com a TV Cultura, ela já dispunha de um horário para divulgar documentários referentes ao tema. Assim,  a emissora abriu espaço em sua programação para as questões indígenas e, com a participação do ator e produtor orgânico Marcos Palmeira,  atingiu um público maior e levantou o debate sobre questões atuais. Em tempo: "A'Uwe" significa "povo indígena".
 

 

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