O grande Bronco
e o grande Caipira

Ronald Golias


  Ronald Golias, filho de Arlindo Golias e Conceição D'Aparecida Golias,  já nasceu com esse nome - não é nome artístico - no dia 4 de maio de 1929. Sua estréia no mundo artístico foi aos 8 anos de idade, como artista amador, na Escola Dante Alighieri, em São Carlos, sua terra natal. Golias, que também foi alfaiate e funileiro, se mudou para a capital paulista em 1940, onde passou a praticar natação no Clube Regatas Tietê. Ele integrou o grupo Acqua Loucos, precursor dos espetáculos aquáticos no Brasil. Por sugestão de Golias, os shows passaram a ter uma parte falada, o que o levou a participar do programa Calouros em Cena, da Rádio Cultura. Depois, o comediante passou para a TV, onde sua carreira se confunde com o início da televisão no País. O ator despontou na TV ao lado de Manuel de Nóbrega na antiga A Praça da Alegria, em 1956, em que lançou Pacífico, tipo que se tornou famoso com o bordão "Ô Cride...". Criou também o personagem Carlos Bronco Dinossauro, personagem mais divertido de A Família Trapo, seriado que estreou em 1967, na TV Record. Não tão bem-sucedida foi sua atuação do humorista em Superbronco, uma cópia da série norte-americana Mork and Mindy, criada por Boni, na Globo, em 1979. 
 Em abril de 2004, após uma longa ausência da telinha, estreou na rede de Silvio Santos o programa Meu Cunhado, protagonizado por ele, ao lado de Moacyr Franco, baseado em um seriado argentino.  No cinema, participou dos filmes: Golias Contra o Homem das Bolinhas - 1968,  Agnaldo, Perigo à Vista - 1967, Marido Barra Limpa - 1963, O Homem Que Roubou a Copa do Mundo - 1962, Os Cosmonautas - 1961,  Os Três Cangaceiros - 1960 e Tudo Legal, de 1958. 
  Foi em 1967, na Tv Record, que Golias entrou para o seriado Família Trapo, onde imortalizou o personagem Carlo Bronco Dinossauro,  o mais famoso de Ronald Golias e o programa, um dos maiores sucessos cômicos da tevê brasileira. Os parceiros de Golias na Família Trapo eram Otelo Zeloni, Renata Fronzi, Cidinha Campos, Ricardo Corte Real e Jô Soares. O programa foi ar até 1971.
  Desde junho de 1990, Golias, com mais de 50 anos de carreira, integrava o elenco fixo do SBT. Ele era uma das atrações do humorístico A Praça é Nossa, comandado por Carlos Alberto de Nóbrega - filho de Manoel da Nóbrega, o criador da Praça. Casado com Lúcia Golias, 63, o comediante teve somente uma filha, Paula, 38. O genial Ronald Golias partiu em 27 de setembro de 2005, aos 76 anos de idade, deixando uma extensa obra humorística, principalmente na TV, a qual encontra similar apenas no humorista Chico Anisio.
 
 


Mazzaropi

 
 
 

  Amácio Mazzaropi, o mais famoso comediante do cinema brasileiro e que, usando seu próprio sobrenome, imortalizou o caipira Mazzaropi,  nasceu no dia 9 de abril de 1912, em Taubaté, SP. Filho de Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi. Neto de italianos, por parte de pai e portugueses por parte de mãe, eram eles bem modestos. Ele, motorista de praça, ela, empregada doméstica. Mas Mazzaropi tinha um avô artista e muitas vezes o acompanhou em espetáculos de circo, ou quando o avô tocava viola nas festas de Taubaté.
  Em São Paulo, no bairro do Belém, Mazzaropi começou a estudar e além de ser ótimo aluno, tinha facilidade para decorar poesias e as declamava em festas da escola. Fazia sucesso. De volta à Taubaté, o menino continuava sonhando com a arte e pensava em ir embora com cada circo que passava pela cidade. Acabou voltando à capital e aos 14 anos viajou com o circo La Paz. Começou a se apresentar contando piadas em público. Trocou a certidão de idade. Passou de 14 para 19 anos e assim ficou “maior”, para contar piadas e fazer rir.
  Mazzaropi teve um início de carreira meio que similar ao grande Charles Chaplin. Começou a viajar pelo país, levando sua arte aos palcos até que, em 18 de setembro de 1950, foi convidado para a inauguração da TV TUPI, a pioneira. Em poucos dias criou o programa: “Rancho Alegre”, e escolheu a parceira, Geny Prado, que acabou se eternizando nas telas como a "esposa" do caipira. Mas o próprio Mazzaropi nunca se casou.  Nascia ali um ídolo incomparável no cenário artístico brasileiro. Ainda que tendo sangue europeu por parte de pai e mãe, Mazzaropi era um puro caipira brasileiro. Ladino,  romântico, cantador. E acima de tudo, esperto. A porta aberta pela TV TUPI de São Paulo, não foi a única. Meses depois ele também inaugurou a TV TUPI do Rio de Janeiro e logo se transformou no maior caipira de todo o Brasil. Também fez incontáveis shows em teatros brasileiros. Daí para o cinema foi um pulo. Foi para a Companhia Vera Cruz e filmou: Amácio Mazzaropi (1945 ) Com os pais, Clara e Bernardo. Sua filmografia é extensa, desde o grande sucesso de 1952, Sai da Frente, até Jeca e a Égua Milagrosa, de 1980, seu útimo filme.
  Caipira nas telas, mas esperto homem de negócios na vida real, em 1958 Mazzaropi funda a Pam Filmes, Produções Amacio Mazzaropi. A partir daí, passa a produzir e dirigir seus próprios filmes, sendo sua primeira produção Chofer de Praça, em que ele emprega todas as suas economias. Com o filme pronto, falta dinheiro para fazer as cópias. Pega seu carro e sai pelo interior a fora fazendo shows até conseguir arrecadar a quantia necessária. Não foi fácil, no início teve que alugar os estúdios da Cia Vera Cruz para as gravações internas e as filmagens externas foram rodadas na cidade de São Paulo com os equipamentos alugados da Vera Cruz. Assim, com dificuldade, foi inaugurada a PAM Filmes.
  O pano de fundo de quase todos os seus filmes é sempre uma fazenda. Primeiro eram propriedades emprestadas e depois, a sua própria, chamada Fazenda da Santa, onde montou seus estúdios. Ali atravessa sua mais fértil fase e produz seus melhores filmes como Tristeza do Jeca e Meu Japão Brasileiro. O caipira de fala arrastada, tímido, mas cheio de malícia, arrasta multidões aos cinemas. Lança um filme por ano e sempre em 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, e no cine Art-Palácio, que ele adota para lançamento das películas, pois o dono do cinema foi o que mais lhe apoiara no início da carreira de produtor. 
 Fica milionário e paralelamente, já que tinha tudo a ver com seu lado caipira, produz leite também, sendo um dos maiores fornecedores da empresa Leites Paulista.  No início dos anos 70 constrói novos estúdios e um hotel, também em Taubaté.  Artista nato e empresário com muito tino comercial, é também desconfiado e solitário.  Nunca se casa, mas tem um filho adotivo, Péricles, que o ajuda na produção dos filmes. 
  O genial e amado caipira se vai em 13 de junho de 1981, aos 69 anos de idade. O império que construiu, segundo a imprensa da época, é dilacerado pelos herdeiros (parentes) após sua morte, com todos os seus bens indo à leilão, inclusive os filmes. O Hotel-fazenda onde era seu estúdio, continua existindo, agora com o nome de Hotel Fazenda Mazzaropi, mantenedor do Museu Mazzaropi com um acervo de mais de 6.000 peças. 


Uma 
emocionante homenagem a Mazzaropi

  No excelente filmeTapete Vermelho, é prestada uma emocionante homenagem ao gênio Mazzaropi. O ator Matheus Nachtergaele, numa interpretação espetacular, relembra Mazzaropi em cada cena, até cumprir a promessa ao filho de levá-lo a assistir um filme do Mazzarapi.
  O filme, de Luiz Alberto Pereira, foi lançado em 2006, é uma produção para se guardar, pois seguramente um dia irá figurar entre as melhores produções do cinema nacional. 
  A excelente fotografia, a história singela e muito bem feita, a interpretação de Matheus e seus parceiros e até Paulo Goulart, de motorista de caminhão arranhando com seu vozeirão um dos sucessos musicais de Mazzaropi, ficaram simplesmente inesquecíveis...
  "Nem saudade no peito, eu daqui vou levar...Botei o meu boi no carro e não tive nada pra carregar..." - Isso é Mazzaropi, sempre!

 

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