O FIM DE GRANDES E
INESQUECíVEIS DUPLAS SERTANEJAS

  
Toda discussão sobre a influência da música regional mexicana sobre seus primos brasileiros tem de incluir, por pelo menos única  menção, a Pedro Bento e Zé da Estrada, que cantaram e gravaram juntos até 2017, quando morreu Zé da Estrada. A RCA foi a casa da dupla desde 1966. Waldomiro de Oliveira, nascido em 1929, foi mais um ilustre filho da cidade paulista de Botucatu e, e sem dúvida, é bem mais conhecido como Zé da Estrada. Seu companheiro, JoeI Antunes Leite, o Pedro Bento, nascido em 1934, honra sua cidade natal, Porto Feliz, SP e desde bem cedo começou a carreira como menino-prodígio, cantando em festas do Divino nas regiões de Tietê, Piracicaba e outras. Vindo para São Paulo aos 14 anos, profissionalizou-se imediatamente, cantando em várias emissoras. Numa destas suas viagens pelo Brasil, em 1958 conheceu Waldomiro, administrador de fazendas, também ex-cantor mirim e já residente em São Paulo, e formaram a dupla Pedro Bento e Zé da Estrada. 
Ainda em 1958 emplacaram seu primeiro h i t, Seresteiro da Lua. A princípio, eles cantavam música caipira de raiz. Mas em meados dos anos 60 preferiram levar adiante as já então muito comuns influências da música mexicana, enfatizando ainda mais os chapelões, trompetes e cu-curu-cu-cus. A mistura deu certo, e só poderia (afinal, a dupla estava essencialmente promovendo a união de dois irmãos sertanejos, o mexicano e o brasileiro). E assim, o sucesso de Pedro Bento e Zé da Estrada perdurou até o fim da dupla, sendo uma dupla pioneira e de grande sucesso no mundo sertanejo. Zé da Estrada morreu em 2017 e, dois anos depois, seu irmão sertanejo o acompanhou. Pedro Bento se foi neste ano, 2019, em 4 de janeiro. Zé da Estrada tinha 88 anos de idade e Pedro Bento, 85.
 (NE) No histórico, feito pelo departamento de jornalismo da RCA, para o relançamento de antigos sucesso da dupla na série Luar do Sertão, Zé da Estrada é apontado acima como filho de Botucatu, mas na realidade ele nasceu em Pratânea, SP, onde inclusive o prefeito Roque Joner criou o Museu Pedro Bento e Zé da Estrada, homenageando a dupla e também outra famosa dupla da região, que é Tonico e Tinoco, que receberam uma sala só para eles. No museu se encontra também o livro Saudade de Minha Terra, em homenagem a Belmonte.
  Como Belmonte e Amarai, Pedro Bento e Zé da Estrada influenciaram famosas duplas, que também, infelizmente, chegaram ao fim recentemente. João Mineiro, da dupla João Mineiro e Marciano, faleceu em 2012 e seu parceiro, Marciano, que seguiu carreira solo desde então, faleceu este ano também, no dia 19 de janeiro, aos 67 anos de idade, segundo a mídia, mas sua irmã diria depois que ele tinha 73 anos. O certo é que com 60, 70 ou 80, perdeu-se mais uma grande voz da autêntica música romântica sertaneja. A dupla, no entanto, já havia acabado bem antes da morte dos dois. Ela começou em 1970 e terminou em 1993.
  Do nosso mundo sertanejo, de autênticas músicas caipiras e românticas, pouco ou quase nada mais temos. O cantor Milionário, que fazia dupla com José Rico, é o único e solitário remanescente. Quantos já foram tocar suas violas e sanfonas no Céu e cantar iluminados pelas estrelas! De 2000 para cá, acabaram-se os astros e as duplas Tonico e Tinoco, Carlos César e Cristiano, João Mineiro e Marciano, Milionário e José Rico e Pedro Bento e Zé da Estrada, Inezita Barroso, Zé do Rancho, Chico Rey, Dominguinhos, Zé Maringá (o violeiro de Belmonte e Amarai), Miguel Aceves Mejía, a grande influência da música mexicana no Brasil e o autor do grande sucesso Boate Azul, Benedito Seviéro e o próprio Amaraí, parceiro histórico de Belmonte.
 Assim, até o início de janeiro de 2019, o Brasil foi cada vez ficando mais pobre de grandes, importantes e históricas duplas do nosso mundo sertenejo...

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