Civismo e Revolucionários


  Dia 18 de setembro é comemorado o Dia dos Símbolos Nacionais, que oficialmente são a Bandeira, o Selo, as Armas e as Cores (verde, amarelo, azul e branco). É claro, que, mesmo não oficialmente, o Hino Nacional também é um símbolo da Pátria. Historicamente, como não podia deixar de ser, a Bandeira é o maior símbolo de um país.
  Hoje a maioria das escolas já não hasteiam a bandeira e ninguém canta 
(grande parte nem sabe a letra certa) o Hino nacional e nem qualquer outro hino cívico, pois a palavra Civismo parece ter sido extirpada do nosso País. Colonizado e dominado por Portugal, até a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o Brasil viveu sob a sombra das bandeiras imperiais. Somente em 19 de novembro, quatro dias após a proclamação, é que surgiria nosso maior símbolo: a Bandeira ou o Pavilhão nacional, que ainda hoje tremula orgulhosa, lançando sua sombra de glória por todo o País. Ela foi criada a pedido de vários intelectuais da época da proclamação,  entre eles o grande poeta Olavo Bilac.
   A nossa Bandeira surgiu de um projeto de Raimundo Teixeira Mendes, desenvolvido pelo artista plástico Decio Vilares. O lema Ordem e Progresso foi inspirado no trabalho do filósofo positivista Augusto Comte, e as estrelas, que hoje simbolizam os estados da União, representavam na época, o céu da madrugada de 15 de novembro. Para isso foi consultado o astrônomo Manuel Pereira.
 
 

Os heróicos revolucionários
(Os homens sem medo)




   No entanto, para se chegar à gloriosa madrugada de 15 de novembro de 1889, quando Deodoro da Fonseca foi imortalizado cavalgando seu cavalo branco e proclamando o fim da monarquia, muitos heróis que queriam um Brasil realmente livre de Portugal, foram sacrificados.
  Manoel Beckman e Felipe dos Santos, seriam os primeiros a serem executados por levantarem a voz contra o domínio português, e depois, aquele que se tornaria o maior herói nacional, Tiradentes, verteria também seu sangue por uma pátria livre, se tornando o Mártir da Independência. Simbolicamente, a independência do Brasil aconteceu em 07 de setembro de  1822, quando obteve autonomia política de Portugal. Mas assim mesmo a Pátria brasileira continuou sendo subjugada pela realeza portuguesa, através do regime monárquico.
   Antes da "independência", além de Tiradentes e Felipe dos Santos, outros heróis também derramaram seu sangue por um Brasil livre. Em 1682, Manuel Beckman se revoltou contra a Companhia de Jesus, comandada por padres jesuitas, que monopolizavam o comércio no Brasil. O movimento liderado por Beckman ficou conhecido como a Rebelião do Monopólio. Beckman foi enforcado. Em 1798, o tenente Hermógenes liderava uma revolução baiana contra a monarquia, chamada Revolta dos Alfaiates. Sucumbindo ante o poderio português, morreram os heróis Lucas Dantas de Amorim Torres, João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira e Luiz Gonzaga das Virgens. Todos foram enforcados e esquartejados. Em 1817, acontecia a Revolta dos Mascates. Nesse movimento, foram assassinados Padre Roma das Alagoas e André de Albuquerque Maranhão. Todos os outros líderes do movimento foram enforcados ou fuzilados pelo governo português.
  



 
 

    Mas, mesmo após a independência política de Portugal, o ideal de ver a Pátria livre de vez da realeza portuguesa, continuou a bater forte no coração dos brasileiros, e as revoltas se sucediam - e também as execuções. Assim, em 1823, os irmãos Vinagre e Eduardo Angelim morreram liderando a Cabanagem no Pará; em 1825, Frei Caneca (primeiro desenho) foi fuzilado em Pernambuco por liderar a revolução que ficou conhecida por Confederação do Equador. No Ceará, a revolta era liderada por João de Andrade Pessoa e padre Gonçalves de Albuquerque. Por estarem ao lado deles, também foram executados nessa revolta, os heróis Lázaro de Souza Fontes, Antonio Macário, Agostinho Bezerra Cavalcanti, que era major da chamada Tropa de Negros, Antonio do Monte Oliveira, Nicolau Martins Pereira, James Rodgers, João Gulherme Ratcliff, João Metrowitch e Joaquim Loureiro.
 
 


 
 

   Em 1835, Bento Gonçalves (desenho) liderava a Revolução Farroupilha, da qual participaram Giuzeppe Garibaldi e a heroina Anita Garibaldi. Dois anos depois, em 1837, acontecia na Bahia o movimento revoltoso conhecido como Sabinada, liderado por Francisco Sabino da Rocha Vieira e Sérgio Veloso. Eles só escaparam da execução porque D. Pedro II estava assumindo o poder. Pouco depois de 1840 era a vez dos revoltosos contra a monarquia começarem um movimento no Maranhão, conhecido como Balaiada, liderado por Raimundo Gomes, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira e o Preto Cosme (terceiro desenho). Em 1842, os dois primeiros líderes foram presos e somente Preto Cosme foi enforcado.  Finalmente, em 1849, foi a vez da Insurreição Praieira em Pernambuco. Baseados na insurreição operária de 1848, na França, e em artigos do jornalista Luis Inácio Ribeiro Roma, acontecia mais uma revolução contra a monarquia, liderada por Nunes Machado, Pedro Ivo, Borges da Fonseca e João Roma. 
 
 


 
 

  Mas, mesmo após a queda da monarquia, o ideal da liberdade total do homem ainda mantinha-se vivo, e em 1893, quatro anos após a proclamação da República, Antonio Conselheiro lidera o movimento chamado de Guerra dos Canudos. O governo federal autorizou os municípios a cobrarem impostos dos cidadãos e os editais da cobrança foram afixados em portas de Câmaras e Prefeituras. Antonio Conselheiro, revoltado, arrancou os editais e os queimou. Muitas pessoas, tanto de um lado, quanto do outro,  perderam a vida nessa revolta  que permanece, ao lado do massacre dos seguidores do beato Lourenço, no Ceará, como um dos episódios mais vergonhosos de nossa história republicana.
   Sem os grandes homens, nada representariam os símbolos. Uns justificam os outros. Temos que respeitar nossos símbolos, pois eles foram erigidos sobre o sangue dos heróis da Pátria. Nesta matéria, além daqueles que deram a vida pelo sonho de liberdade, destacamos outros grandes nomes também, que de uma forma ou outra, devem ser respeitados também como símbolos nacionais: Alberto Santos-Dumont, o pai da aviação,  Zumbi dos Palmares, Silva Jardim,  professor e jornalista, que aos 15 anos de idade escrevia um artigo em prol da liberdade, Castro Alves, Olavo Bilac, Antonio Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, deputado Afonso Arinos, autor da lei aprovada em 1951, contra o preconceito racial, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, comandante João Ribeiro de Barros e Chico Mendes. Todos estes deixaram marcados seus nomes na História, lutando pela Liberdade ou contra as injustiças praticadas pelos dominadores.
 
 

Marechal Deodoro, o herói da República e primeiro presidente dela. Chico
Mendes, o último herói? Desenhos acima, na sequência: Frei Caneca, 
Bento Gonçalves e Preto Cosme. (Autoria desconhecida)
Fontes: Abril Cultural -  Jornal dos Amigos - Jornal da Barra - site do Governo

 

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