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Chico Mendes
A Amazônia continua em chamas...
  
  Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Esta região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.  Homem de aspecto sombrio, cor morena e bigode robusto, Chico teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte.  


 
 

  Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade e vestiu seu primeiro terno aos 40 anos. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era. Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros que, acobertados por forças governamentais, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas. Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.  

  Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isto se deu através dos empates, um movimento pacífico, que consistia em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas, que surgiam armados de foices, machados, motosserras e máquinas. Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores, sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e as atitudes brutais dos grandes empresários. Muitas vezes, eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas.  
  Em 1977, Chico participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se em motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão, passando a sofrer torturas e ameaças de morte. Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta União dos Povos da Floresta, um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios, constantes naquele documento, tiveram uma grande repercussão nacional e internacional.  

   Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500. A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região, despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta.  
  Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região. No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais,  Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas, passando a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais assassinados durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica. A seu respeito, diria Lula, hoje presidente do Brasil: "Logo o Chico, que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável!"  
  Em 1990 o ator Raul Julia (já falecido), ao lado de Sonia Braga, reviveu no filme Amazonas em Chamas a saga do herói, numa interpretação magistral do grande Chico Mendes.

 

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