Carmélia Alves
A Rainha do Baião 
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  Terceira filha do casal Raimundo e  Adelina, com pai cearense e mãe baiana, Carmélia foi nascer no bairro carioca de Bangu  em 1913.  Raimundão, que trabalhava no Departamento de Estradas de Rodagem era muito festeiro, tendo formado conjuntos de baile e organizado blocos carnavalescos e festas juninas e Carmélia, é claro, costumava adormecer embalada pelas cantigas nordestinas cantadas pelo pai. 
  Com 17 anos começou a interessar-se por música, encantando-se de ouvir no rádio as músicas cantadas por Carmen Miranda, da qual tornou-se fã, acompanhando seus programas na Rádio Tupi e recortando suas fotografias de revistas. Recebeu muito incentivo do irmão mais velho, Manoel, que também gostava de cantar e achava que a irmã cantava bem. 

  Durante o período de ginásio, tomou parte em diversos programas de calouros, tendo sido aprovada em todos eles, inclusive, no mais temido de todos, o de Ary Barroso, onde o assistente Macalé fazia soar o gongo eliminando seguidamente os concorrentes. Convidada por Manoel da Nóbrega, outro grande incentivador, participou de seu programa de calouros na Rádio Ipanema. Fez parte do programa "Estrada do Jacó", comandado por Ary Barroso, onde ele apresentava seus melhores calouros. 
  Terminado o curso ginasial, optou por seguir a carreira artística. Foi casada por 54 anos com o cantor Jimmy Lester, num relacionamento pautado pela harmonia e compreensão, palavras que gostava de repetir. Carmélia Alves nunca mais se casou. A partir de 2010, recolheu-se ao Retiro dos Artistas, também no Estado do Rio de Janeiro, onde morou até sua morte em 2012, aos 89 anos.
  A carreira artística, talvez uma das mais ricas de todos os artistas brasileiros,  teve início nos anos 40, quando foi contratada por Barbosa Júnior para apresentar-se com cachê fixo no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Em meados dos anos 1940, obteve chance no conhecido programa "Casé", substituindo uma cantora que havia faltado. Cantou músicas de Carmen Miranda, que nesta época havia viajado definitivamente para os Estados Unidos. Ouvida por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink Veiga, é contratada por essa rádio, que buscava uma substituta para a estrela Carmen Miranda. Ganhou um programa semanal, recebendo 800 mil-réis por mês, uma  fortuna naquela época. Em 1941 foi contratada como crooner pelo Copacabana Palace, recebendo 100 mil-réis por dia, apresentando no programa "Ritmos da Panair",  transmitido para todo o Brasil pela Rádio Nacional. 

  Sua carreira ganhava mais espaço, sendo freqüentemente convidada para apresentar-se em outros locais, entre os quais, o programa do "Chacrinha", na Rádio Fluminense. Participou no coral de várias gravações de outros artistas, entre os quais na gravação de "Aurora", feita por Joel e Gaúcho. Participou, também, de inúmeras gravações de Benedito Lacerda na RCA Victor, sempre participando do coro. 
  Em 1950,  ela e o marido Jimmy Lester, em viagem ao Nordeste, descobrem o acordeonista Sivuca, atuando na Rádio Comércio do Recife e o levam para o Rio de Janeiro. Gravou na mesma época, com Jimmy Lester, os baiões "Adeus Maria Fulô", de Humberto Teixeira e Sivuca, e "Saudade é de matar", de Hervé Cordovil e Manezinho Araújo. Com Sivuca gravou o pot-pourri "No mundo do baião", com baiões de diferentes autores. Em 1952, gravou a marcha baião "Dança da mulesta", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. No mesmo ano, gravou de Humberto Teixeira, o baião "Eu sou o baião". Ainda em 1952, gravou com o Trio Melodia, dois pot-pourris, um de sambas e outro de baiões. Gravou com Sivuca ao acordeon os baiões "Maria Joana", de Luís Bandeira, e "O vôo do mangangá", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy.

  Na mesma época, reforçou o direcionamento de sua carreira em direção aos ritmos regionais, embora continuasse a gravar sambas. Começa, também, a ingressar no cinema cantando números avulsos e ganha o título de Rainha do baião, integrando uma verdadeira corte, sendo Luiz Gonzaga, o Rei, Luiz Vieira, o príncipe e Claudette Soares, a princesa, cantando repertório de Carmélia, já conhecida como a Rainha do Baião. Recebeu inúmeros convites para apresentar-se em diversos lugares, inclusive na Argentina, onde viu lançado seu grande sucesso "Sabiá na gaiola". 

  De 1950 a 1954, manteve-se na gravadora Continental, na Rádio Nacional e no topo das paradas como a Rainha do Baião. Depois de apresentar-se com enorme sucesso na Argentina, viaja com a caravana de Humberto Teixeira indo apresentar-se na Alemanha, onde fez sucesso, sendo convidada a gravar um LP pela Telefunken. O mesmo acontece em outros países onde se apresenta. Em Portugal, seu repertório passou a ser utilizado por ranchos regionais. Na então União Soviética, fez um show para 150 mil pessoas. Em 1955, já de viagem marcada para a Europa gravou de Luiz Bandeira o frevo "Quarta-feira ingrata" que se tornou o hino do carnaval pernambucano. 
  Por essa época, o casal Carmélia Alves e Jimmy Lester pouco tempo ficou no Brasil, fazendo tournês internacionais nas três Américas e na Europa. Em 1962, volta ao Brasil e vê que seu sucesso perante o público continuava o mesmo senão maior. Em 1976, a Continental lançou pela série "Ídolos MPB", o LP "Carmélia Alves", fazendo um histórico da carreira da cantora, com a apresentação de 12 composições, que foram sucesso em sua voz. Um trabalho muito difícil para os diretores da gravadora, já que sucesso foi o que nunca faltou à Rainha do Baião. Escolher 12 canções apenas entre centenas, deve ter sido uma tarefa árdua...
   Em 2010 Carmélia Alves faz uma apresentação épica no Rio de Janeiro, onde tudo começou. Sua última apresentação como cantora. Recolheu-se no mesmo ano no Retiro dos Artistas, até que em 2012 deixou o palco da Terra e foi cantar baião para os anjos em alguma galáxia nordestina...É uma teoria, mas com uma artista como Carmélia Alves, tudo é possível! 

Clique para ver e ouvir Carmélia Alves num trecho do Programa Ensaio, da Tv Cultura-São Paulo

 

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