O nosso cafezinho
de todos os dias

Café - Força política e financeira do Brasil

  Como já escreveu um cronista do Estadão, as duas expressões mais nacionalistas do país - o futebol e o carnaval, não são oriundos da nossa terra tupiniquim. O carnaval é uma exportação de festas pagãs gregas, e o futebol (footbol), veio da Inglaterra. E assim, por incrível que possa parecer, nossa bebida mais típica - o café,  consumida hoje por um terço da população mundial e que representou a maior força política e financeira do País, também não é brasileiro. 
  O café teve sua origem na Abissínia (Etiópia), na região de Kaffa, de onde originou o nome. Há cerca de 300 anos, o café chegou ao mundo ocidental. No Brasil, ele foi introduzido por um oficial do Exército português de nome Francisco de Melo Palheta. Em uma visita à Guiana Francesa, ele teria obtido algumas sementes da sra. D'Orvilliers, esposa do governador de Caiena. Palheta as trouxe para a colônia portuguesa do Pará e já no final do século XVIII o Brasil adquiria supremacia mundial na produção cafeeira. Era a época dos famosos "barões do café".
  Por volta de 1830, o café, tal como os canaviais hoje, imprimia marcas profundas na paisagem brasileira e também em sua estrutura social. O trabalho escravo foi sendo olvidado com a chegada dos imigrantes italianos, que para os fazendeiros do café representavam uma mão-de-obra mais adequada, apesar de ter de ser paga. 
  Mas todo esse surto de desenvolvimento chegou ao seu limite. A produção atingia níveis incompatíveis com o mercado da época, gerando crises de surperprodução. A primeira ocorreu no início do século XX, e em 1918, geadas intensas aniquilaram quase 400 milhões de pés de café, levando centenas de  fazendeiros à ruína. Em 1924, para dar assistência e orientação à política econômica do produto, foi criado o Instituto do Café. No período posterior à Primeira Guerra Mundial, o Brasil viveu novos anos de prosperidade no setor. Em 1929, com o colapso da Bolsa de Nova York, a nossa economia cafeeira foi atingida em cheio. O mercado só iria se recuperar em 1943, mas já sofrendo concorrência de outros países produtores.
  Na Barra Bonita que surgia no século XIX, a maioria das terras pertencentes ao presidente Campos Salles, dedicavam-se à cultura cafeeira. Salles Leme, sobrinho do presidente, foi um dos maiores produtores de café de Barra Bonita e região. Outro que deixou marcas na história da cidade, com relação ao ciclo do café, foi o ítalo-brasileiro Antonio Benatto Martini (Nicola Martins). Ele nasceu em Ventulano e aqui no Brasil, naturalizando-se e mesmo semi-analfabeto, com a força de muito trabalho e persistência, chegou a dominar o mercado de exportação em Barra Bonita, vindo a ser um dos maiores exportadores de telhas e café nos anos 50. 
   Na parte da produção, Eugênio Caetano, pai do comendador Mario Costa, que trabalhou ao lado de Nhonhô Salles desde a fundação de Barra Bonita, adquiriu o sítio Bela Vista, propriedade da família Costa até hoje, e lá iniciou seu plantio de café. Seu filho continuou esse trabalho, que só terminou em 1990, devido à última geada, que deteriorou ainda mais a já cansada lavoura, e à queda nos preços do produto. Hoje, na tulha, no secador e no terreiro de café do sítio, que ainda conservam as mesmas características da grandiosa época ainda se pode ver os restos de uma cultura milionária que acabou cedendo lugar à cultura canavieira. O sítio Bela Vista, que abrigou uma das últimas lavouras de café em Barra Bonita, atualmente é explorado turisticamente e abriga uma escola de equitação. A artista plástica Maria Luiza Bataiolla, viúva do ceramista Osvaldo Costa, neto de Eugênio Caetano, através de uma série de fotos, pretende dar início a um Museu do Café barra-bonitense, como o que existe na Fazenda Lageado, em Botucatu, que retrata todo o glorioso ciclo do café.

Pesquisa e texto de Sérgio Ferraz

 

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