Napoleão Bonaparte
O homem por trás do mito



  Em 1969, a França comemorou o segundo centenário do nascimento de Napoleão Bonaparte: o estadista, o imperador, o general, o mito. Por trás deste gênio militar, que se confunde com a própria história da França e da Europa, surge agora o homem, que em agosto do ano que vem completará 250 anos da data de seu nascimento.
 O mundo sabe tudo a respeito de Napoleão Bonaparte – mas parece que nada conseguiu saber sobre o homem que ele foi. É como se ele se tivesse esforçado por cobrir-nos de informações para melhor se esconder, como um criminoso astuto que quer enganar a polícia.
 No entanto, alguns aspectos seus são familiares, a começar pela figura: pupilas fixas, penetrantes, um olhar de céu de inverno atrás de supercílios negros e bem desempenhados, queixo firme, nariz adunco, um rosto com algo de nobre, triste e austero.
Conhecemos também suas pequenas manias. A mais famosa: enfiar a mão esquerda sob o casaco, à altura do fígado. Sem que ninguém possa perceber, essa mão executa uma série de exorcismos sempre que seu dono encontra um padre ou um cachorro preto. Napoleão é supersticioso.
E há seu modo de falar. Brilhante em italiano, medíocre em francês, ao qual ele freqüentemente acrescenta expressões de sua terra natal, a Córsega. Confunde  palavras: diz anistia em vez de armistício. As circunstâncias o desculpam: menino ainda, antes de entrar como bolsista na escola militar de Brienne, só teve três meses para aprender o francês, ensinado por um padre da Borgonha.
Finalmente, o tamanho. Os soldados do Exército italiano apelidaram-no o pequeno cabo. O marceneiro da ilha de Santa Helena, encarregado de tirar-lhe as medidas para o caixão mortuário, anotou 1,68m. Por causa da cabeça grande demais e do pescoço curto demais, Napoleão sempre pareceu menor do que era.

A infância pobre daquele que 
seria o imperador da Europa



 Infância, quase não teve. Nascido, em 15 de agosto de 1769, aos nove anos fecham-se atrás dele as portas do severo colégio de Brienne, onde ficará outros sete anos, pobre bolsista sem tostão entre tantos colegas metidos a janotas. Assim que chega, põem-lhe um apelido humilhante, “la paille au nez” (a palha no nariz), imitando a pronúncia com a qual ele diz seu nome – “Nappoilloné”. Um dia, o garoto escreve para casa, ao pai: “Estou farto de aparentar indigência e de ver os sorrisos insolentes dos colegas que, de melhor do que eu, só têm a fortuna. Tira-me de Brienne!”
Mas as coisas iriam ainda piorar. Bonaparte, pai, cansado de carregar sua miséria altiva, morre num hospital. Deixa uma viúva. Letícia, com sete órfãos (quatro meninos e três meninas) para cuidar. A única esperança da família é Napoleão, que aos dezesseis anos recebe as insígnias de oficial do rei. É agora subtenente, com um magro soldo, a maior parte do qual serve para sustentar a mãe e os irmãos, na Córsega.
A pobreza e a solidão fizeram-no inimigo da monarquia e adepto dos ideais de liberdade e igualdade. Mas, nos anos vindouros, sua posição permanecerá ambígua: ao povo, Napoleão poderá mostrar, simbolicamente, as solas furadas de seus sapatos; aos aristrocratas, seu diploma de oficial do rei.
Sua primeira tarefa leva-o a morar na cidade de Valença. Aí, seu jantar resumia-se a fatias de pão molhadas no leite. Aos domingos, ele próprio cozinhava uma sopa e se regalava em companhia do irmão Luís, a quem sustentava e educava. Moravam num quarto pegado a um salão de bilhar. Enquanto Luís dormia e o bilhar se aquietava, Napoleão trabalhava numa monumental história da Córsega. Ele esperava que a revolução republicana lhe assegurasse um grande destino na ilha em que nascera.

O mito começa a ser esboçado



 Em Valença, durante a revolução, Bonaparte encontra um general republicano, Carteaux, que vinha de Paris para amotinar o Sul da França. O general fica muito feliz em juntar às suas tropas esse artilheiro também revoltado. Não se engana: os canhões de Bonaparte abrem-lhe as portas da cidade de Avignon, depois Beaucaire, finalmente Toulon, o grande porto.
Diante de Toulon, toda branca, Napoleão é um soldado da fortuna, disponível, feroz e confuso. Constrói a seu redor uma pequena corte, quase um bando. Manda que um de seus ajudantes escreva, com sua melhor letra, um cartaz: “Bateria dos Homens Sem Medo”. E vai colocá-lo, pessoalmente, ao lado de suas peças de artilharia, ao abrigo dos rochedos, mas sob fogo inimigo. Toulon  cai dois dias depois. Como recompensa, Napoleão ganha as divisas de general-de-brigada e o comando da Artilharia das Costas e do exército da Itália, cujo quartel-general fica em Nice.
Em Nice, o recém-promovido general torna-se amigo do representante da Convenção – o Parlamento Revolucionário -, que se chama Augustin Robespierre, irmão de Maximiliano, o poderoso incorruptível. Augustin recomenda a Maximiliano o “patriota” Bonaparte. Entretanto, os azares da revolução conduzem Robespierre à guilhotina e Napoleão, suspeito, é recolhido à prisão.
Solto depois de algum tempo, volta às suas batalhas, já que a situação nas fronteiras estava longe ainda de se acalmar. Suas vitórias começam a ser cantadas pelos cronistas da época, mas isso não comove os homens do Comitê de Salvação Pública, para quem o protegido de Robespierre continua a não merecer confiança. Napoleão é exonerado, posto em disponibilidade, sem comando.

O jovem general se apaixona



 O jovem militar de orelhas de cachorro, com seu cinto tricolor um tanto desbotado, seguido por três homens fiéis – seu “Estado-Maior” -, toma o caminho de Paris. Em meados de maio de 1795, os quatro homens chegam a uma Paris escandalosa, primaveril, frívola, festiva. Para Napoleão, parente pobre e à margem dessa festa, é o tempo da “miséria de asas douradas”.
Ele e seus homens famintos arranjam acomodação num quartinho miserável no Hotel da Liberdade, depois de pechinchar muito. Na penúria, Napoleão faz planos: seu futuro é o único capital de grupo.
Começa a percorrer as antecâmaras dos ministérios. Em vão: está caido em desgraça. Finalmente, alguém lhe oferece o comando do Batalhão de Infantaria na Vendéia. É pegar ou largar. Napoleão recusa: infante, jamais – seria a desonra total. Correndo todos os riscos, decide ficar em Paris.
Ocupa os dias com leituras na Biblioteca Nacional e toma aulas de astronomia no Observátorio. Mas,  Paris é tão linda e o amor está na ordem do dia. Napoleão  namora Désirée – depois esposa do General Bernadotte -, escreve um romance no qual os dois  são os principais personagens e envia-lhe cartas insistentes e apaixonadas.
Freqüenta a única família que conhece na capital, os Permon. Laura Permon, a filha do casal, diria mais tarde que esse estranho amigo “andava pelas ruas, caminhando com passos incertos, tendo um chapéu velho, redondo, afundado até os olhos e deixando escapar suas orelhas, que caíam sobre a gola de sua casaca cinza-ferro”.
O velho Permon estava muito doente e Napoleão, pupilo agradecido, dedicava-se a ele, passando todos os dias para saber notícias e, muitas vezes, deixando-se convidar para o jantar. “Certa feita”, conta Laura. “meu pai sentiu-se muito mal. Eram dez horas da noite. Nessa época, era impossível fazer que um criado saísse de casa depois das nove. Bonaparte  não disse  nada. Desceu as escadas correndo e foi buscar o médico, a quem trouxe, apesar de seus protestos, sob uma chuva terrível. Bonaparte não encontrara nenhum "fiacre" e seu uniforme ficou ensopado”.
Tal dedicação vale-lhe uma apresentação à influente  sra. Tallien, que recomenda “seja entregue ao chefe-de-brigada de artilharia Bonaparte uma peça de tecido de lã para casaca, sobrecasaca, colete e calças de uniforme”.
Aos poucos, a situação melhora. O novo encarregado da condução da guerra, Pontecoulant, simpatiza com o artilheiro e lhe dá um cargo - adido do Departamento de Topografia do Comitê de Salvação Pública. Ainda não é tempo de vitórias mas de prepará-las meticulosamente para outros.

O guerreiro está pronto!

 Napoleão conhece muito bem seu serviço. Onde um poeta vê um vale, ele enxerga uma carga de cavalaria; onde um romancista contempla um pôr de sol, ele instala uma bateria. Mesmo que nunca tenha visto a paisagem, vale-se de sua extraordinária capacidade imaginativa.
No plano afetivo, uma decepção: Désirée não responde às suas loucas declarações, o romance que começara a escrever parece-lhe agora sem sal. Uma noite, porém, ao estrear seu novo uniforme numa festa na casa da Sra. Tallien, Napoleão encontra, pela primeira vez, a viúva Beauharnais, Josefina. Na ocasião, o encontro fortuito nada significou. Mas seria um sinal de que o destino de Bonaparte estava para mudar.
E eis que a insurreição estoura em Paris. A nova Constituição retirara do povo muitas conquistas dos anos precedentes e a Convenção estava nos estertores. Os homens no poder em crise precisam urgentemente de alguém capaz de impedir a sublevação. Nas conferências palacianas menciona-se um nome: Napoleão. E alguém decide: “vão buscá-lo”.
No Hotel da Liberdade, Bonaparte é despertado no meio da noite. Oferecem-lhe o segundo comando do Exército da Convenção. Ele hesita. Dão-lhe três minutos para pensar. Quando responde, usa palavras precisas, inquietantes:
- Aceito. Mas previno: depois que tiver tirado esta espada da bainha, não tornarei a guardá-la enquanto a ordem não for estabelecida.
A ordem foi mesmo restabelecida e Napoleão, aos 26 anos, passa do semi-anonimato para o proscênio da vida militar e política. Promovido a general-de-divisão, deixa por fim o hotelzinho barato e, com seus três fiéis, muda-se para o quartel-general. Seu nome aparece nos jornais. Escrevem-no Buonaparte e não sabem pronunciá-lo. Ainda não é um herói, mas quase. Basta, apenas, afrancesar a ortografia.
A sorte não o apanha desprevinido. Ele resiste à embriaguez, às miragens. Treinou durante muito tempo para o impossível e agora foge ao sucesso como um espartano. Procura não mudar o estilo de bom republicano, cidadão dedicado, montanhês incorruptível. Nada toma para si. Mas é generoso com sua família. A 31 de dezembro de 1795, escreve ao irmão José:
“Não é preciso que você se preocupe com os nossos. Jérôme (um irmão) chegou ontem. Vou pô-lo num colégio. Estou enviando uns 50 000 ou 60 000 francos, prata, papel-moeda, tecidos. Você será nomeado cônsul onde lhe convier...”

Josefina e o general

 É então que um sabre vai levá-lo a seu destino. Responsável pela manutenção da ordem em Paris, napoleão iniciaria o desarmamento sistemático da população. Suas patrulhas revistam casa por casa em busca de armas. Um dia, um jovem indignado entra em seu gabinete:
- Seus esbirros tomaram o sabre que pertencera a meu pai. Ele morreu na guilhotina, mas sua honra me é preciosa e essa espada é tudo o que me resta.
O rapaz chama-se Eugênio, filho do General De Beauharnais, Napoleão é sensível à sua linguagem:
- Mandarei devolvê-lo.
Noites depois, numa recepção, Josefina, viúva do general, aproxima-se de Napoleão:
- É uma mãe que lhe agradece. Com o sabre do pai, o senhor devolveu o sorriso a Eugênio.
Imediatamente, ele se apaixona. Josefina é o que procura: uma viúva lânguida, com dois filhos já grandes. De fato, aos 32 anos, ela é um mulher extremamente sedutora. Napoleão não é seu tipo, socialmente falando, porém, é um bom partido. Como duvidar de seu futuro? Josefina resolve atirar a isca. Manda um bilhete a Bonaparte: “O senhor jamais vem visitar a amiga que tanto lhe quer. Esqueceu-a inteiramente. Faz muito mal, pois ela está presa ao senhor. Até breve”.
Não era preciso mais nada. Napoleão passa a freqüentar a casa de Josefina. Escreve-lhe cartas tórridas: “Acordo envolvido por ti. A inebriante noite de ontem não deu repouso aos meus sentidos. Doce e incomparável Josefina, que efeito bizarro você faz em meu coração. Um milhão de beijos, mio dolce amore, mas não os dê demais: eles queimam meu sangue”.
A 24 de outubro de 1795, Napoleão é nomeado general-em-chefe do Exército do Interior. E Josefina, o que acha disso? Sua resposta é sempre a mesma: “Esse Bonaparte é divertido”. Na verdade, os ardores de Napoleão não fazem subir muito a temperatura da noiva. No entanto, ela se casará com ele. Quanto a ele, casando-se com Josefina, se casará também com o regime.
O casamento e sua nomeação para comandante-em-chefe do Exército da Itália ocorreram ao mesmo tempo. As bodas realizaram-se no dia 9 de março de 1796, ás 10 horas da noite. Ao amanhacer do dia 11, Napoleão parte para assumir o novo posto. A lua de mel, portanto, só dura um dia.

O líder assume

 O Exército da Itália. Um título pomposo demais para 40 mil homens em farrapos, agarrados aos cumes nevados dos Alpes. O General Bonaparte sabe o que fazer. Escreve ao Diretório, em Paris: “Os Senhores desejam que eu faça milagres, mas não sei fazê-los... Os senhores não têm idéia do que seja um exército sem pão, sem disciplina... Não obstante tudo isso, nós iremos”.
 À noite, administra. Durante o dia, está em toda parte. Primeiro, precisa impor-se à tropa. Ele o consegue, enfeitiça seus subordinados. Todos acham que o  seguem rumo à glória. Mas a maior parte, sem o saber, marcha é para a morte. E as mortes não tardam. Batalha após batalha. Às viúvas dos oficiais, escreve comoventes cartas de condolências.
Quanto a si próprio, ele está convencido de que a morte o poupará sempre. Acredita que uma espécie de “gênio tutelar” o protege. Essa certeza dá-lhe alento para sonhar alto. Fala aos soldados:
- Vocês estão mal alimentados. O Governo lhes deve muito e não pode deixar de lhes dar algo. A coragem que demonstram é admirável, mas não lhes traz glória alguma. Quero conduzi-los às mais férteis planícies do mundo. Ricas províncias, grandes cidades serão de vocês. Lá encontrarão honras, glórias e riquezas.
A passos de gigante, coleciona vitórias. Na Itália, luta como Julio César, de quem reteve a arte de surpreender e manter a iniciativa, de andar depressa, de esmagar o inimigo antes que ele perceba o ataque. Diz, num relatório: “As legiões romanas faziam 24 milhas por dia. As nossas fazem 30 e, nos intervalos, lutam”.
Napoleão preenche seus intervalos com a lembrança de Josefina. Todas as noites escreve-lhe cartas que choram um amor infeliz. “Eu lhe escrevo sempre, minha amiga, e você, pouco. Suas cartas são frias. Você é má, preguiçosa e leviana. Será que um terno amante deve perder seus direitos por estar longe, cheio de desejo, cansaço e tristeza?”.
Obstinada, ela se nega a acompanhá-lo pelos caminhos do mundo. Prefere sua boutiques, seus salões, sua alcova. E quando, enfim, uma vez ela parte para Milão, é pior. Enquanto Bonaparte viaja para se encontrar com ela, Josefina segue até Gênova, onde há um baile. Ele já não pode ignorar que ela se entende bem com alguns daqueles bonitos rapazes que a cercam.
Josefina à parte, Napoleão encontrou seu estilo de vida. Nos 24 primeiros dias de comando, depois  de uma semana de imobilidade em Nice, fez seu QG mudar doze vezes de lugar. Ganhou três batalhas decisivas. Agora segue rumo ao mar Adriático, em marcha para leste. Em Ancona, pequena cidade portuária, decide-se pelo oriente. Seu alvo é o Egito.
Na primavera seguinte, tudo está pronto para a expedição que é militar mas também científica, ficando essa parte a cargo de uma comitiva de sábios. Depois de sucessivas vitórias, culminando com a de Aboukir, Napoleão ouvirá o elogio entusiasmado de um de seus generais.
- Você é grande como o mundo!
Bonaparte, porém, está com o coração em Paris, onde Josefina o trai publicamente. Ele resolve voltar. E o faz como se fugisse, levando consigo apenas seis de seus homens. O mito daquele que volta será uma constante na epopéia napoleônica. A volta, em farrapos, da Rússia. A volta, prodigiosa, de Elba. E a volta, esperada quase para além da morte, de Santa Helena – que não houve.
 A cena política francesa arde com problemas quando Napoleão desembarca em Fréjus, mas não é isso que o preocupa. Ele segue direto à casa de Josefina. Não acha ninguém. Pois a mulher, num gesto raro, partira a seu encontro, por uma estrada diferente. Quando ela volta. Napoleão está instalado – e as portas trancadas. Josefina passará a noite inteira do lado de fora até que ele se decida a permitir-lhe a entrada.
Enquanto isso, conspira-se para acabar com a Convenção. Paris entra em estado de sítio. Os generais cercam o prédio em que se reúnem os deputados. Espera-se resistência, mas estes fogem, deixando nas moitas do parque de Saint-Cloud pedaços rasgados de suas roupas purpúreas. Bonaparte, a quem se oferece o poder absoluto, fica só, vencedor, com os ouvidos ainda cheios dos gritos:  “Morte ao tirano!” “Abaixo César!” é o golpe do 18 Brumário.
Mas Napoleão não está satisfeito. Há dez anos, o tribuno Mirabeu dissera: “Estamos aqui pela vontade do povo e só sairemos pela força das baionetas”. Pois bem, eles sairam, pelas baionetas de Bonaparte. Este esperava ser recebido em aclamação pelos convencionais. Encontrou um clima de indignação.

Finalmente, o estadista

 Na manhã seguinte ao golpe, ao acordar na Palácio de Luxemburgo, Napoleão faz força para não pensar mais nisso. Está com trinta anos, senhor absoluto de um país à espera da reconstrução. Um novo século vai começar e será preciso recebê-lo de rosto novo também, um rosto que jamais olha para trás. A 1º de janeiro de 1800, tudo deve ser como uma página em branco.
De fato, é um novo personagem que surge: botas de cano dobrado, calças de casimira branca, casaca transpassada sobre o uniforme, uma figura roliça de chapeuzinho e gravata. O artilheiro corso metamorfoseara-se em francês médio.
Às 7 da manhã, seu criado de quarto vem acordá-lo. Encontra, invariavelmente, a maior desordem; roupas no chão, chapéu jogado sobre um móvel, espada sobre o tapete coalhado de mapas, jornais desfeitos, livros e uma grande écharpe tricolor caindo do leito. Não há luxos: o único que Napoleão se permite ao levantar é ter o fogo aceso, mesmo no verão. Gosta de sentir calor.
Agora, vestindo as calças e um robe em tecido branco, ainda com a touca com a qual dormira, ele mesmo se barbea diante do espelho que o criado segura. Depois veste a farda de primeiro-cônsul e entra no gabinete de trabalho, onde o secretário o espera, secundado por cinco ou seis escriturários, cada qual tentando registrar as ordens que partem em todas as direções. O clima é o de uma classe de alunos aplicados.
Às 10 horas, mais ou menos, servem-lhe o almoço: feijão em salada com azeite de oliva, ovos “ao espelho” (fritos na água, sem gordura), queijo parmesão, um copo de vinho. Nada de sobremesa. A refeição toda consome dez minutos, no máximo quinze. A seguir, cantarolando, Napoleão atravessa o palácio em direção aos aposentos de Josefina.
Apesar de todos os atritos, acima de ciúmes e traições, o casal partilha uma extraordinária cumplicidade, uma inextinguível ternura. Conquistaram o poder, de braços dados. Continuavam, se bem que a passos diferentes, pelos mesmos caminhos.
Josefina está fazendo a toalete, cercada de mulheres. Napoleão belisca-lhe o pescoço e as faces,diz o que acha de seu penteado, toma-a nos braços, beija-a (estragando-lhe a pintura), chama-a de “bicho gordo”, brinca de esconder seus objetos. Enfim, é a águia disfarçada de galo no galinheiro.
É sábido que ele mantinha relações com muitas outras mulheres. No entanto, Josefina era seu único amor. Há um grande mistério nesse apego recíproco, que se baseia no desentendimento físico. Aparentemente levam vidas à parte, mas à noite, depois de um jantar tão frugal quanto o almoço, ela é quem faz questão de lhe servir o café. Ele não gosta de permanecer no salão além do tempo estritamente necessário. Esquiva-se dos convidados. Deita cedo. Às vezes manda chamar Josefina. Ela é quem o faz adormecer, a cabeça no ângulo de seu braço.
“Quando Napoleão queria passar a noite com sua mulher”, conta seu criado, “trocava de roupa em seu quarto, de onde saía vestido de robe e touca. Eu ia na frente, com um candelabro na mão. No fim do corredor, uma escada de quinze ou dezesseis degraus. Depois, o apartamento de Josefina. Ela apresentava muita alegria ao receber a visita do marido. Na manhã seguinte, o palácio inteiro ficava sabendo: Josefina se encarregava de contar”.
Brigam por causa de dinheiro. Ele diminui seus recursos, mas jamais consegue que ela modere seus gastos. Mesmo na época do bloqueio continental, quando os produtos ingleses estão proibidos na França, ela só usa musselina  e caxemira, conseguidas através de contrabandistas.
Primeiro-cônsul, Napoleão  continua a ser bolsista faminto de Brienne. Cuida do próprio  guarda-roupa, faz listas: 5 roupas militares, a 360 francos; 2 roupas para caça, a preços variados; uma roupa burguesa, a 200 francos (duração prevista: 3 anos); 48 camisas de flanela (uma por semana), 4 dúzias de lenços (uma dúzia por semana), 6 toucas (uma a cada dois meses). E assim por diante, incluindo guardanapos, meias de seda, sapatos, perfumaria, artigos de limpeza.
Nas altas rodas da política fala-se em restaurar a monarquia, Luís XVIII escreve a Napoleão: “É tempo de que eu mostre as esperanças que depositei no senhor... A glória o espera e estou impaciente por devolver a paz ao  meu povo”. Napoleão demorará a responder. Antes, há que enfrentar os austríacos no campo de batalha. E a situação não é das melhores para as tropas francesas na tarde de 14 de junho de 1800, nos campos de Marengo. Seus homens recuam. O gênio tutelar de Napoleão parece tê-lo abandonado. Os adversários já cantam vitória.
Eis que o gênio reaparece, na figura do General Desaix, comandando 5 mil homens, que romperam o cerco inimigo. Bonaparte exulta. Nunca irá esquecer aquela tarde. Três dias antes de morrer, em Santa Helena, gritaria, em delírio: “Desaix! Desaix! A vitória é nossa !” Nas derradeiras escaramuças, uma bala atravessa o coração do general salvador. À noite, em seu QG, o vitorioso Napoleão está sombrio e silencioso. Alguém pergunta se não está satisfeito  com o resultado da batalha. “Sim”, responde. “Mas, Desaix ! Se eu tivesse podido abraçá-lo antes da batalha, este seria um belo dia”.
A vitória em Marengo fora decisiva. Napoleão impunha-se à França como o guardião das fronteiras nacionais. Pode agora, responder a Luís XVIII:
“Recebi  vossa carta, monsieur. Agradeço pelas coisas honestas que me dizeis. Não deveis pensar em vossa volta à França: seria preciso caminhar sobre 100 mil cadáveres. Sacrificai vosso interesse pelo repouso e a felicidade da França. A história o levará em conta”.
Napoleão é soberano. O novo século pertence-lhe inteiramente. Chegou a hora de esculpir um novo país. Põe fim à guerra civil, instala a paz. Cria outra organização administrativa para a França. Define as atribuições do Estado, as relações com a Igreja. Paris merece um destino especial: Napoleão faz dela uma cidade – a cidade – por excelência: monumental, acadêmica, pontilhada de vastas perspectivas. Digna de um imperador, como ele.
A cena da coroação é famosa. Depois de trazer Josefina imperatriz. Napoleão coloca a coroa sobre a própria cabeça, num gesto que seria magnífico se seus braços não fossem um tanto curtos e se os ombros não estivessem escondidos por um manto de veludo carmesim, rematado por um arminho sobrecarregado de abelhas e bolotas de ouro.

Sai o imperador e volta o guerreiro 

 No dia 15 de agosto de 1805, quando Napoleão festeja seus 36 anos, a França está em plena guerra com a Inglaterra. É uma guerra marítima e Napoleão não se dá bem com o mar. Seu talento terrestre ignora o capricho dos ventos, as velas enfunadas, a visibilidade nula, as complicadas manobras necessárias para virar a estibordo em vés de bombordo. Napoleão, por fim, desiste do desembarque em solo britânico. Irritado, impaciente, cansado pela longa permanência nos rochedo, ordena, de repente, uma genial meia-volta.
Sete corpos do exército francês põem-se em marcha sobre uma Europa que ouve, espantada, o troar dos canhões. Napoleão ainda tem tempo de passar por Paris e dar adeus à vida civil. Josefina o acompanhará até certo ponto. Em frente, está o grande cenário militar; é Napoleão em campanha, saindo em disparada de seu vagão, deitando-se na palha ou tomando palácios, atingindo como o raio antes mesmo que se ouça o trovão, prodigioso e infatigável.
E pontual também nos bilhetes a Josefina, enviados por um correio particular – dez brigadas de treze cavalos com cavaleiros extremamente habilidosos, sempre dispostos. Aonde quer que chegue, assim qua sua tenda é montada. Bonaparte escreve à mulher. São bilhetes rápidos, “Estou bem, só o tempo está medonho. Tenho que mudar de roupa duas vezes por dia”, “Estou cansado. Oito dias ao ar livre e noites frias”, “Durmo às oito e levanto à meia-noite. Às vezes penso que você ainda não deverá estar deitada”, “Minha amiga, fiz belas manobras contra os prussianos”.
O que essas cartas não contam é o sofrimento épico da guerra, a cor dos céus de batalha, as vitórias ao amanhecer, as tempestades de neve, os feridos que gemem, as longas vigílias nas tendas de campanha, as marchas de 40 mil cavalos, o imperador que confraterniza de madrugada com soldados rasos e ajuda até empurrar os canhões entre os rochedos.

O começo do fim

 Depois, seria o divórcio de Josefina, em obediência a razões acima de tudo políticas. Josefina significava um mundo que se tornara insuficiente a Bonaparte. A mera legalidade já não lhe bastava. Ele necessitava da legitimidade – e esta só obteria aliando-se ao velho regime monárquico.
Tudo foi feito de noite, na intimidade da câmara imperial. Josefina recebeu a notícia, caiu desmaiada. O administrador do palácio e o próprio imperador – um segurando-a pelas pernas, outro pela cabeça – tiveram  que descê-la pela escadaria secreta, como a uma assasinada. Era o fim de um dos mais lindos romances de amor da História.
Uma nova mulher é necessária aos palcos de Napoleão, uma arquiduquesa como Maria Luísa, da casa dos Habsburgos, sobrinha de Maria Antonieta, que faça correr nas veias de seu filho, misturado a seu sangue, vermelho demais, o azul real.
É quase a demência. Napoleão quer fundar uma estirpe, aliada aos sistemas monárquicos europeus. Esse projeto delirante é que o arrastará inexoravelmente para o abismo. E no entanto, no mapa secreto de sua insanidade, tudo se dá com uma implacável lógica de pesadelo: no plano temporal, o objetivo é levar o Santo Império Romano-Germânico a Paris, capital da Europa, cujas principais cidades seriam Viena, Berlim e Varsóvia: arruinar a Inglaterra mercantil até o dia em que for possível disputar-lhe os mares; expulsar a Rússia da Europa. No plano espiritual, para afastar qualquer concorrência, instalar Roma às margens do Sena e o Vaticano num anexo do palácio imperial.
Com tais idéias na cabeça, não é de surpreender que os desastres futuros sejam superlativos, como foram os triunfos do passado. Napoleão  exagerava sempre, em todos os sentidos. Ele vai superar-se a si mesmo na tragédia.
Diante de Maria Luísa, Napoleão, aos quarenta anos, é repentinamente atacado por uma espécie de moléstia primaveril. A juventude que lhe faltou sobe-lhe agora à garganta. Conta à Rainha Catarina, sua jovem cunhada: “Para provar a que ponto o imperador se preocupa por sua futura esposa, basta dizer que mandou vir o alfaiate e o sapateiro, para se vestir com o maior cuidado possível, e está aprendendo a valsar. Coisas que ninguém teria imaginado..”
Segundo o protocolo, Napoleão deve dormir na chancelaria  enquanto aguarda o casamento religioso, deixando o palácio para a nova imperatriz. Nisso também o protocolo será quebrado. Lembra um criado: “Ele entrou em seu quarto, perfumou-se com água-de-colônia e, vestindo apenas um robe, voltou secretamente para junto de Maria Luísa. Na manhã seguinte, enquanto fazia o toalete, o imperador perguntou-me se alguém notara o acréscimo que fizera ao programa oficial”.
Enquanto isso, a situação econômica da França começa a se deteriorar. A inflação aumenta tanto quanto o número de pessoas que todas as manhãs fazem fila para ter direito à sopa dos pobres, distribuída gratuitamente. Aquela Paris bondosa, que o antigo primeiro-cônsul havia decorado com móveis sólidos, já não compreende seu chefe. Aonde ele quer chegar? Por que aprisionar o papa? Por que dar ao filho o título de rei de Roma? Por que requisitar tantos novos soldados? Napoleão nada ouve, nada enxerga. O chapéu enterrado até as sobrancelhas, ele avança rumo às nuvens, sem perceber que seus pés já não pisam a terra firme.
Chegou o momento de considerar o grande império napoleônico. Por terra, estende-se até o rio Vistula, na Polônia, mas do lado marítimo tem apenas algumas braças de praia. Comporta o reino de Nápoles, mas para juntá-lo à vizinha ilha de Capri, é toda uma guerra. Ao menor estreito, como  o de Messina, tudo acaba. A Inglaterra controla a Sicília, a Sardenha, todas as ilhas, todas as praias, todas as passagens para todos os portos.
Aquele vasto território é administrado por prefeitos e subprefeitos, mas à cabeça de cada reinado está um membro da família Bonaparte: irmãos, irmãs, cunhados, sobrinhos, sobrinhas. O primeiro cuidado familiar de Napoleão foi casar os irmãos. A mania de formar e separar casais chega a ser fanática. Ele gosta principalmente dos casamentos em que nascem filhos, muitos filhos.
Enquanto Napoleão mergulha nos négocios familiares e faz a guerra na longínqua Rússia, as conspirações contra ele multiplicam-se na França. Uma delas, baseada no boato de que Napoleão morrera às portas de Moscou, quase deu certo, não fosse a fidelidade do ministro da Guerra. Os conspiradores foram executados dias após a malograda tentativa, mas, graças ao affaire, Paris pode saber que a campanha na Rússia ia de mal a pior. E – dado importante – a notícia da “morte” de Napoleão foi acolhida com alívio mais do que com qualquer outra coisa.
Não obstante, um ano antes, Bonaparte parecia firme. Podia acreditar-se, mais do que nunca, imperador dos franceses. Via-se, a curto prazo, dono do mundo inteiro. Mas ele espreguiçou-se demais nos terraços, brincou muito de mimar sua arquiduquesa resfriada, bancou demais o pai coruja. E, quando se decidiu pela guerra com a Rússia, estava confiante.
É para leste que agora são enviados os recrutas de 130 departamentos do Império, além dos contingentes suplementares, fornecidos pelos reinados-satélites. Na primavera de 1812, a formidável máquina militar está pronta e Napoleão põe-se a caminho. Até Dresden, na Alemanha, é um desfile triunfal: até mesmo o imperador da Áustria vem cumprimentar o conquistador.
Depois, a Rússia. O silêncio, a primavera, as casas desertas. De vez em quando, o som de uma canhonada e, de novo, a estrada reta, toda livre, por onde as tropas francesas avançam. É um passeio, não uma conquista. Apesar disso, o medo infiltra-se entre os soldados.
E então, Moscou. Tempo de parar. O inimigo já disputa a Napoleão o direito de batizar as batalhas. A vanguarda do exército consegue entrar na cidade deserta. À noite, um inimigo devastava tudo. Napoleão é vencedor, pois está no Kremlin com sua água-de-colônia, seus secretários, seus mapas. Mas não há ninguém a quem  ditar condições de paz. Suas mensagens ao czar ficam sem resposta. Seus marechais erram pelas esplanadas vazias. A 13 de outubro, cai a primeira nevada. Napoleão olha por uma janela do Kremlin. Aquela coisa branca, impalpável, implacável, que cobre docemente todas as coisas, é o sudário do Grande Exército. Depois, será a retirada.

Dos brilhantes campos de glória para
as sombras de Santa Helena 

 Todos sabem o que foi a retirada da Rússia, as mortes por frio, fome. Finalmente, Napoleão volta às terras francesas. Em Paris, ninguém está avisado. Acredita-se que ele está ainda a mais de 100 léguas. A 18 de dezembro, quando o relógio soa o último quarto antes da meia-noite, ele e seus auxiliares diretos chegam às Tulherias. A princípio os vigias pensam tratar-se de estafarias. Até que alguém reconhece: “É o imperador!”
Depressa acendem-se os lustres, um fogo de lenha crepita na lareira, os escribas apresentam-se com suas penas. Entretanto, mesmo no coração de Paris, Napoleão sente-se como num palácio deserto, como o Kremlin. Josefina não está à sua espera.
E a Europa recusa-se à sujeição. O rei da Prússia proclama uma guerra santa contra Bonaparte. Este vai em pessoa enfrentar a nova coalizão, obtém vitórias inesperadas. Mesmo estas, porém, têm um gosto amargo. Seus melhores amigos vão morrendo, um a um – fatais presságios para a batalha que se travará em Leipzig, a Batalha das Nações, que, para toda a Europa, terá significado de uma batalha de libertação. Em vão Bonaparte fecha-se com seus mapas e entrevê saídas geniais: o coração já não participa. Os soldados já não compreendem – e reservam-se para defender, amanhã, não mais um imperador, mas uma França em perigo.
Napoleão é obrigado a recuar, de batalha em batalha. Com seus soldados imberbes, procura atrair os inimigos para dentro do território, para então melhor combatê-los. Assim, volta a Paris. Aí, a grande surpresa: estendem-lhe um papel para assinar. A abdicação, Elba é o passo seguinte.
Elba significa para Napoleão uma espécie de repouso forçado, num clima que é seu clima natal, tão perto de sua ilha que lhe reconhece o odor quando o vento é favorável. Essa temporada em Elba tem, entretanto, aspectos de humor negro. O imperador, subitamente transformado em guarda-campestre, baixa decretos contra as cabras que atravessam sua cerca.
Aqui poderia terminar sua história não fosse por uma coisa: Napoleão é capaz de aceitar uma derrota, mas não a desonra, não ser chamado “usurpador” pelos próprios concidadãos. Ele precisa voltar para mostrar a seus detratores que o povo, em especial a classe média, continua a seu lado. A volta seria como um plebiscito, definitivo, esmagador.
É o vôo da águia, o último ato que a França esperava com impaciência. Nem bem um ato, antes um epílogo. Pois tudo de fato termina quando o imperador volta às Tulheiras pela porta principal e Luís XVIII foge pela porta de serviço. Quando Napoleão entreabre a legendária casaca cinzenta para mostrar o coração aos soldados:
- Se entre vós existe alguém que queira matar seu imperador, ei-lo aqui.
Novamente dono da França, Napoleão é, não obstante, o espectro de si mesmo: Maria Luísa traíra-o despudoramente. Josefina morrera. E muito em breve haverá Waterloo.
Derrotado pelos ingleses, Napoleão volta a Paris, de cabeça baixa. Espera que um novo governo provisório lhe dê um passaporte para emigrar. Percorre mais uma vez a cidade cujas ruas exibem o nome de suas vitórias e cujos bulevares tem o nome de seus generais. No fim da Avenida Champs-Elysées, uma grande construção ergue seus andaimes: o Arco do Triunfo. Napoleão sonhou passar por ele.
 Dia 14 de outubro de 1815, a bordo do Northumberland, Napoelão Bonaparte vê surgir as ondas de uma ilhota enfadonha, chamada Santa Helena. Aqui ele ficará esperando inutilmente - enquanto vai sendo sistematicamente envenenado com arsênico, um visto para os Estados Unidos e relendo uma biografia de George Washington. À noite, o vento traz para dentro de casa um perfume de rosas, a lembrança de Josefina. Em Santa Helena Napoleão reencontra seu dolce amore, para além de todas as brigas, para além do absurdo divórcio que lhe custou tão caro, para além dessa morte tão leve que se diria “ela ainda há de aparecer”. Ali, com os braços repletos de rosas. Ela foi sua única estrela. Será também, sua última palavra... 



(Nota do Editor) - Para publicar a matéria sobre Bonaparte, tomamos por base informações de matérias feitas nas décadas de 60 e 70, quando era dada como certa a tesa de que o imperador havia sido envenenado. Mantivemos as informações. Mas, para proporcionar informações mais recentes aos nossos leitores, publicamos as notas abaixo, para que cada um forme sua própria opinião. 

 Após as teses de assassinato e doença como causas da morte de Napoleão Bonaparte, agora um estudo dos EUA reivindica que o imperador francês morreu devido a um erro médico. A pesquisa que foi publicada na revista britânica New Scientist confirma a tese divulgada em 2002, na qual se eliminava a possibilidade de assassinato por arsênico, porque os restos da substância que estava no cabelo de Napoleão eram de origem exógena. Eram, portanto, de cola, pintura ou armas de fogo e não foram ingeridos. 
 O coordenador da pesquisa, Steven Karch, afirma que o imperador morreu por excesso de zelo de seus médicos, que lhe aplicavam doses fortes do medicamento composto de potássio e antimônio contra a dor da úlcera. O remédio induz ao vômito e pode provocar problemas cardíacos e de irrigação do cérebro. Os arquivos mostram que, às vésperas de sua morte, 05/05/1821, na Ilha de Santa Helena, aplicavam-lhe 600 mg do medicamento cinco vezes ao dia. Isso aumentou seus níveis de potássio e o matou em 5 de maio de 1821, aos 51 anos. (artigo do Jornal do Brasil 23/07/04)

 A polêmica tese do assassinato de Napoleão Bonaparte (1769-1821) com arsênico foi derrubada pelo Instituto Italiano de Física Nuclear, ao anunciar que a concentração de veneno encontrada nos cabelos do célebre imperador Napoleão nada tinha de excepcional na época. "O ambiente no qual viviam as pessoas no início do século XIX levava à evidência de ingestão de quantidades de arsênico que consideraríamos, hoje, perigosa", precisam os cientistas que chegaram a essa conclusão após analisar mostras dos cabelos de Napoleão e de seus familiares. "Não foi o envenenamento com arsênico que matou Napoleão quando estava na ilha de Santa Helena", assegurou em comunicado a instituição italiana, que submeteu a "exames meticulosos" os cabelos de Napoleão. (Revista Il Nuovo Saggiatore).
 
 

Copyright 2003/2018 - Sergio Ferraz - Todos os direitos reservados

 

GRANDES MATÉRIAS
MUNDO SERTANEJO
NOSSOS HERÓIS
REVOLUCIONÁRIOS
ESPECIAIS
HOME PAGE
 
 
 
 
 
 

 

Sergio Ferraz - Todos os direitos reservados