Três heróis. Vidas arriscadas ou sacrificadas em prol do semelhante 

Professora Helley
A heroína da creche!
 Baseado em matéria de  Luiz Ribeiro, enviado especial do jornal Estado de Minas - 2017
 


A tragédia em Janaúba

 No dia 05 de outubro,  manhã de quinta-feira, na pacata cidade de Janaúba, Minas Gerais, dezenas de crianças de tenra idade brincavam tranquilamente na Creche Gente Inocente, sem esperar que antes do meio-dia o horror e a morte se abateria sobre elas. O vigilante da escola, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, alcoólatra e com problemas mentais segundo contaria às autoridades sua própria mãe, jogou produto combustível sobre várias crianças e sobre sí mesmo e depois ateou fogo.
  O incêndio começou imediatamente e um inferno de chamas e gritos de dor e pavor se espalhou pelo recinto, com nove crianças e uma professora tendo queimaduras gravíssimas, que as levou à morte. Umas no mesmo local do pavoroso crime e outras ao chegar ao hospital ou dias depois, internadas no hospital local ou em Belo Horizonte, para onde foram levadas por causa de maiores recursos de tratamento. Mas não resistiram à gravidade das queimaduras. O vigilante também morreu.

   A ação da heroína

 De acordo com pessoas que estavam no local do sinistro acontecimento e de informações  levantadas pela mídia no local, só não aconteceram mais mortes por causa da ação imediata da professora Helley de Abreu Batista, 43 anos, que enfrentando as chamas, lutou contra o vigilante, impedindo que ele ainda atingisse outras crianças e carregou várias para fora, até sucumbir no local, também morta pelo fogo. A professora nos poucos e pavorosos minutos de terror, sacrificou a própria vida na tentativa de salvar as criancinhas. Até o dia 22, domingo, o terrível saldo era de 9 crianças mortas e  duas mulheres, sendo uma delas a professora Helley, a heroína mineira.

Quem era Helley Batista?

 A heroína foi sepultada na sexta-feira, 6, sendo seu corpo levado até o cemitério local em um carro aberto do  Corpo de Bombeiros e acompanhado por centenas de pessoas. Seu corpo baixou à sepultura sob lágrimas e aplausos dos presentes. Ela deixou três filhos: Breno, de 15, Lívia, de 12; e o bebê Olavo, de um ano e três meses.
  Formada em pedagogia, Helley começou a trabalhar há alguns anos como professora municipal de Nova Porteirinha, separada de Janaúba pelo Rio Gorutuba. Inicialmente, trabalhou na zona rural, numa comunidade chamada Dengoso. Depois, trabalhou na Escola Estadual Luzia Mendes, no Bairro Dente Grande, área de baixa renda de Janaúba.
  Em 2016, começou o serviço na creche Gente Inocente, no Bairro Rio Novo, em Janaúba, fazendo aquilo de que mais gostava: continuando em sua missão de ensinar. Morava em Nova Porteirinha e todos os dias atravessava a ponte sobre o Rio Gorutuba para cuidar de “suas crianças”, como ela as chamava....

O retrato do horror - Assim ficou o interior da creche
(Foto Globo-Web)
 



 Baseado em material de 2015, produzido por Mariana Jungmann , repórter da Agência Brasil

Vinícius, o herói de Santa Maria

  O incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, um verdadeiro inferno que matou 242 pessoas, em 27 de janeiro de 2013, ficou conhecido como A Tragédia da Boate Kiss. O episódio comoveu o país, porque a maioria dos mortos era adolescentes que participavam de uma festa de universitários. A casa noturna não tinha saídas de emergência, nem plano de evacuação, o que resultou no alto número de mortes. E tanto naquela ocasião, como agora, na creche de Janaúba, também tivemos um herói solitário que foi o estudante de educação física Vinícius Montardo Rosado, de 26 anos de idade.
   Vinícius, segundo relatos de colegas presentes na noite de terror, estava entre os primeiros a conseguir sair da boate, pois buscava desesperadamente saber de sua irmã, Jéssica. Vendo que ela já estava a salvo, o rapaz voltou corajosamente para o inferno de chamas e gritos de agonia, procurando ajudar seus colegas. Segundo relato dos próprios sobreviventes, ele conseguiu salvar 14 estudantes e, tal como a professora Helley, acabou morrendo, sufocado pela fumaça e envolvido pelas chamas. 

Coração de herói

  De acordo com a família e amigos, o porte avantajado do jovem foi primordial para que ele pudesse ter tanta resistência para enfrentar as chamas assassinas e salvar 14 pessoas. Isso certamente capacitou Vinícius a ter forças para salvar tantas pessoas mas, de acordo com o que debatemos aqui no GNT, não é cor, religião e nem porte físico que faz da pessoa um herói e sim, o coração, que praticamente a obriga a ir em frente  arriscando a própria vida em benefício de outras vidas. Só este fato, mesmo que a pessoa não morra, já a coloca no panteão dos heróis, como aconteceu com Ayrton Senna, do qual falaremos abaixo. O medo, o raciocínio lógico e a análise rápida da situação, impedem que muitos se transformem em heróis. Mas estes, por vencer o medo e o raciocínio, já não precisam analisar a situação, pois, mesmo que a mente diga o contrário, o coração manda ir em frente, dando socorro imediato a quem precisa. E o herói não se preocupa se irá morrer ou não com sua ação. Aquilo precisa ser feito e ele faz! 

O ser humano morre; o herói é eterno!

  Vinícius, como todo jovem, olhava animado para o futuro. Ele queria ser lutador de MMA. Seus familiares contam que ele  “Era um rapaz muito humilde. Nunca vi ninguém falar que não gostava dele”, disse o pai do herói, o gerente de eventos Ogier de Vargas Rosado. “Brincava que ele era como uma baleia: grande, forte e doce.”
   Vinícius, o jovem que deu sua própria vida para salvar a de 14 almas, olhava para um futuro, mas seu coração intrépido o conduziu para outro, que era o de ser, a partir de então, o inesquecível herói de Santa Maria e do Rio Grande do Sul! 
  Minutos após salvar seus colegas, Vinícius foi retirado do local do sinistro por bombeiros, já desacordado. Ele morreu na ambulância, a caminho do hospital. As chamas e a fumaça inalada ainda mais pelo esforço em salvar outros jovens, venceram Vinícius, ao mesmo tempo que o transformavam para sempre em herói.  E heróis não morrem!
   No velório coletivo realizado no ginásio esportivo da cidade, pessoas que sobreviveram e que participaram da cerimônia reconheceram Vinicius. “Passavam e diziam: ‘lembro dele. Foi ele quem me salvou’”, narrou seu amigo Bruno. 
 


Há 20 anos, Ayrton Senna salvava 
vida de colega ao socorrê-lo em Spa

Baseado na matéria de  Felipe Siqueira - 2012


Èrik Comas

  Naquele fatídico 1º de maio de 1994, enquanto Ayrton Senna era atendido pela equipe médica na “maldita” curva Tamburello no circuito de Ímola, um carro vermelho desobedeceu as bandeiras vermelhas, saiu dos boxes e parou próximo ao local do acidente que tirou a vida do brasileiro. Era o piloto francês Érik Comas a bordo de sua Larousse. Ele se aproximou do helicóptero e dos fiscais de pista, observou o tricampeão gravemente ferido e ficou tão impressionado com a cena que não continuou na prova e, no fim do ano, abandonou a Fórmula 1.

Por quê o piloto francês ficou tão perturbado?

  O grande choque de Comas tem explicação. Ele tinha uma relação muito peculiar com Ayrton. Dois anos antes, os dois vivenciaram papéis inversos. Há 20 anos, em uma sexta-feira de treinos em Spa-Francorchamps, palco do GP da Bélgica do próximo fim de semana, o francês bateu fortemente com sua Ligier na curva Blanchimont e ficou atravessado no meio da pista.
  Ao ver o colega acidentado, Senna imediatamente parou o carro no circuito e, literalmente, saiu correndo para ajudá-lo, entre muita fumaça e desviando dos carros de outros pilotos  que passavam . Ao perceber que Érik estava desacordado e com o pé no acelerador, desligou o motor para evitar uma possível explosão. Na sequência, ainda segurou a cabeça de Comas em uma posição confortável, tendo certeza que o piloto respirava até a equipe médica chegar ao local. Anos depois, em um depoimento emocionado à TV francesa, Érik Comas lembrou o fato, falando sobre o assunto e, grato pela atitude, disse que teve a vida salva por Ayrton.

O herói é aquele que cala a mente,
para ouvir somente o coração...

  A partir de então, Ayrton Senna, eterno campeão brasileiro de F1, também entrou para o panteão dos heróis, pois parou uma corrida, quebrou as regras de segurança da F1 e, com esta atitude ditada pelo coração, como acima explicamos, sem pensar, arriscou a sua vida para salvar a de um colega, o piloto Érik Comas. Este podia ter morrido alí, sufocado ou num possível incêndio do carro ou, numa terceira hipótese, com outro carro colidindo com o dele, que estava atravessado na pista. E o heroísmo de Senna foi marcado por essas hipóteses, já que ele também poderia morrer junto, ao socorrer o colega. Mas um herói não pensa. O herói é aquele que faz, enquanto outros ficam paralisados, analisando o que fazer...
 



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