9o Batalhão
O belo e genial filme russo

 Partindo do fato incontestável de que a guerra sempre foi e sempre será maléfica para os dois lados opositores vitoriosos e derrotados, pois sempre há perdas para ambos os lados. Os derrotados perdem a guerra e milhares de vidas são imoladas; mas os vitoriosos, cegos pela conquista, não contam as milhares de vidas que também se perdeu. E, infelizmente, nas guerras, além dos civis que perdem a vida, sem nada a ter com a guerra, que normalmente nasce nos luxuosos escritórios da política, a maioria dos sacrificados são jovens soldados. 
 E esta é uma verdade, entre muitas outras, que o filme 9o Pelotão (ou Batalhão - 9th Company), nos mostra. Este foi um dos primeiros filmes russos do século 21, que vi, e não vou achar adjetivos para falar tudo que senti do filme. Belíssima produção, fotos espetaculares, atores perfeitos e a história, baseada em fatos reais, dirigida magistralmente por Fedor Bondarchuk, nos leva a muitas reflexões sobre a imbecibilidade da guerra (ou do homem?). 

A Russia no Afeganistão

  A União Soviética na década de 80, esteve envolvida em guerra no Afeganistão por 9 anos, e esta é outra grande verdade que o 9o Pelotão mostra: não houve vencidos e nem vencedores, ou melhor: todos sairam perdendo! 
  O filme, relatando o envolvimento russo no Afeganistão (sem Rambos), é como que também uma homenagem aos heróis que tombaram naquele País. A retirada russa se deu em 1989 e o filme foi produzido em 2005, com o apoio da Agência Federal de Cultura e Cinema da Rússia e do Ministério da Cultura. 
  Conheço pouco (ou quase nada da União Soviética), a não ser os escritores que quase todos já leram, como Dostoievski, Nicolay Gogol e Tolstoy, o poeta Maiakovski, sobre quem o GNT já escreveu, e o compositor Tchaikovsky, um pouco da história da Rússia da época de Lênin e Stálin, que também está no site, e da Perestroika de Gorbatchev para cá. 

  Eu, que já era fã dos escritores, poeta e músico acima citados, fiquei apaixonado pelo filme, que se não ganhou nenhum prêmio de produção estrangeira, foi maldade, pois o diretor Fedor colocou alma e coração na direção, assim como também os atores. 
 Eu consegui o filme com um amigo, apenas como curiosidade, e fiquei fascinado e, por isso, indico o filme para quem ainda não o assistiu. Vale a pena! 

Branca de Neve

  Uma das grandes sacadas do filme, é a pobre prostituta Branca de Neve (não me perguntem porque ela tinha esse apelido de referência, talvez, ao primeiro desenho animado do norte-americano Walt Disney...). A moça vive ao lado do acampamento dos soldados russos, uma espécie de anti-sala do inferno, pois após um rápido treinamento, eles são enviados para o Afeganistão e, segundo os soldados mais velhos informam aos jovens que vão chegando ao acampamento,  Branca de Neve já fez sexo com todos os soldados do acampamento. Então surge uma discussão de caráter social entre os soldados recém-chegados, que comporiam o 9o Pelotão, que quase os leva a vias de fato, e outra discussão, esta a mais importante, quando um soldado manifesta o medo de pegar uma doença venérea, caso fizesse sexo com a moça. 
  É um colocação espetacular do diretor Fedor, que não sabemos se foi fato real ou não, mas mesmo assim é mostra de imbecibilidade mesclada com a inocência do jovem soldado. Ora, ele ia para um front russo e tinha 90% de possibilidade de morrer. Como se preocupar com uma simples gonorréia? 

Uma preocupação inútil

 A grosso modo é a mesma falta de senso de uma pessoa que morre de medo de um simples cigarro, sem ponderar que existem milhares de modos dela morrer, além do cigarro! Por acidente, atropelada, por uma bala perdida, pela mão de criminosos e por um milhar de doenças que nada tem a ver com o cigarro. Todos estamos num front de guerra, enquanto vivos, com 100% de possibilidades de morrer um dia ou outro. Então, se preocupar com um cigarro (ou com uma gonorréia), seria o mesmo. 
 Só coloquei isso para mostrar o desarrazoamento a que a mídia leva as pessoas, com a permissão delas, é claro. Se amanhã a mídia falar que as indústrias e os carros são os principais destruidores da já destruida camada de ozônio, as fábricas vão fechar e as pessoas vão andar a pé? 
 Coloquei esse adendo final na matéria apenas para destacar a genialidade do filme 9o Pelotão, num todo. De parabéns o diretor Fedor Bondarchuk, os atores, a Cultura da Russia, que apoiou a produção e todos os demais envolvidos na realização do filme. 


Algumas cenas de 9o Batalhão (ou pelotão)

 

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